Elevação do IPI dos carros importados: por enquanto, vai dando um jumento com chifres
Reinaldo Azevedo - VEJA
Vocês se lembram que escrevi ontem aqui que a medida de Guido Mantega para o setor automotivo poderia ser o cruzamento malsucedido da vaca com o jumento? Em vez de um animal bom de tração e que dá leite aos montes, poderia nascer um jumento de chifre. Pois é. Leiam o que segue.
Comento depois.
Chinesa JAC diz que IPI maior inviabiliza fábrica no Brasil
Por Cirilo Junior e Venceslau Borlina filho, na Folha Online:
Presidente da JAC Motors no Brasil, Sérgio Habib, disse nesta sexta-feira que o decreto que aumentou o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para veículos importados inviabiliza a construção da fábrica da montadora chinesa no país. O investimento previsto pela JAC nesta fábrica é de US$ 600 milhões. “Do jeito que está hoje, fica inviável [a construção]“, disse. Habib ponderou que pretende negociar com o governo e que, por ora, o projeto não está suspenso. “Só começaremos a produção no início do ano que vem, e até lá, as coisas podem mudar. E acho que vão mudar.”
O executivo ressaltou, no entanto, que só poderá começar o projeto se houver “segurança jurídica de que seu investimento é viável economicamente”. Ele garantiu que, por enquanto, a JAC tem estoque superior a 30 dias, e que até lá, a empresa não irá aumentar o preço dos carros. “Não vamos repassar isso integralmente. Por enquanto nossos preços continuam os mesmos.” Segundo ele, a JAC pretende cortar custos em propaganda e margem de lucro das concessionárias e do importador. Mais cedo, a Abeiva (associação dos importadores de veículos) afirmou que a medida é lobby da indústria automotiva brasileira contra o crescimento do comércio de carros importados no país.
O presidente da entidade, José Luiz Gandini, disse que a concorrência com os importados impede que as montadoras elevem os preços do veículos no mercado interno. De acordo com a Abeiva, o consumidor deverá sentir o impacto do aumento do imposto maior no preço dos carros importados em cerca de um mês. O ministro Guido Mantega afirmou ontem que a mudança pode representar reajuste de 25% a 28% nos preços para carros que não atenderem às exigências.
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Voltei
Há uma expressão essencial no que vai acima: “segurança jurídica”. É preciso que fique claro que o governo tomou uma medida, da noite para o dia, que interrompeu um ciclo de investimentos em curso. Vai proteger empregos? No caso da JAC Motors, tudo o mais constante, vai impedir a criação deles. Que as montadoras aqui instaladas ganham, independentemente da qualidade dos carros que fabricam, isso é fato. A síntese é a seguinte: a decisão é ruim para os consumidores, é ruim para novos investimentos, é incerta para os empregos e, como se nota, boa para quem quer, digamos, concorrer menos.
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