Na Líbia pós-Kadafi, mulher só viaja acompanhada
Do El País
TRÍPOLI - O ex-ministro da Justiça e agora presidente do Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT), Mustafa Abdel Jalil, anunciou na última segunda-feira que quer as mulheres no poder do país. No mesmo discurso, entretanto, Jalil afirmou também que a nova Justiça líbia vai se basear na sharia (lei islâmica). Apesar das críticas, juízes afirmam vigorosamente não haver contradições nisso.
- Nós não somos, nem nunca seremos a Arábia Saudita. Aqui, as mulheres dirigem, e há juízas nos tribunais - afirma o magistrado Milad al-Gali.
Para Jalif al-Gehmy, vice-ministro da Justiça, a lei islâmica serve para unir as diferentes tribos do país. A sharia, porém, permite punições controversas, como cortar a mão de ladrões e matar homens condenados por homicídio, por exemplo.
- Isso é certo - admite o juiz Jamal Bennour, membro do gabinete jurídico de Benghazi e transferido para Trípoli recentemente. - Na prática, quase nunca se chega a esse extremo. Nestes casos, os acusados devem ser declarados culpados por pelo menos quatro testemunhas. É também uma opção espiritual. Eles escolhem ser castigados neste mundo para entrarem limpos no próximo. E mais, na falta de provas suficientes, o código comum é aplicado.
O vice-ministro Gehmy garante que a reforma na Constituição líbia vai estabelecer a igualdade entre homens e mulheres, independente de religião, língua ou tribo. Ainda assim, a nova lei proíbe que mulheres viajem longas distâncias sem a companhia de um homem.
- É uma medida de proteção, porque elas são a parte mais importante da nossa sociedade - explica o juiz Bennour.
Para Bennour, o objetivo de Jalil era tranquilizar a população. O juiz acredita que a sharia não mudará significativamente a vida dos líbios, a não ser pela queda da lei, aprovada em 1978 por Muamar Kadafi, que transferia ao Estado o controle da propriedade privada.
Alaa Murabit, de 22 anos, e Sofia Harezi, de 25, fundadoras da ONG A Voz das Mulheres Líbias, estavam presentes quando Jalil anunciou as mudanças jurídicas do país e tampouco viram contradição no discurso do novo líder.
- Se a lei for aplicada corretamente, ela servirá para aumentar os direitos da mulher. A sharia não permite que mulheres peçam divórcio, salvo em três condições, que quase sempre são esquecidas: quando há desrespeito religioso ou dos filhos, ou ainda se a mulher é maltratada. Isto nunca é mencionado. Até porque na Líbia a religião sempre foi manipulada pelo poder. Espero que as palavras de Jalil não sejam vazias, como as de Kadafi - conclui Sofia.
Do Blog:
Com uma debilidade intelectual tão grande, talvez elas possam integrar o ministério do Zagueirão.
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