DE CONCHINHA
Os dois corpos deitados
Lado a lado, em S inverso,
Grudados, prolongados
Um no outro e no reverso,
Falam entre si, dilatados
Poro a poro, conversos.
Numa só concha colados,
Como silenciosos versos
Ao som do mar soprados,
Contêm eras, universos,
Vozes de doces passados,
No duplo futuro imersos.
Leem-se, textos espelhados,
Decorando de modo diverso
O que era sabido e inacabado:
Pés se roçando perversos,
Costas no peito, seio abraçado,
Joelhos juntos a seus anversos,
Bunda no púbis encaixado,
Rosto nos cabelos submerso.
Perenes, jamais dispersos,
São um organismo concentrado.
DO BLOG:
DANIEL PIZA é um talentoso jornalista que escreve no jornal O Estado de São Paulo. Além de ser o organizador do livro Waaal -
O Dicionário da Corte de Paulo Francis, é autor de vários livros, dos quais eu destaco Machado de Assis - um gênio brasileiro.
Acesse: www.blogs.estadao.com.br/daniel-piza/
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