IV.
Nunca entendi que o coração sofresse
como sofre por causa do ilusório,
que fizesse de si um consistório
de fantasmas inúteis, e que nesse
fundo de calabouço se metesse
tanto remorso, tanto mais inglório
quanto nunca serviu: que padecesse
porque entulhasse um fictício empório
com suas ficções e seus delírios.
O tigre mata à toa, o coração,
fabricando e alongando seus martírios,
estraçalhando-se a si mesmo em vão,
imita a fera absurda e, como os tiros
na noite, morre só, na escuridão.
BRUNO TOLENTINO
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