domingo, 20 de janeiro de 2013

Aumento do custo de energia faz alemães roubarem madeira nas florestas para aquecimento
Renuka Rayasam - Der Spiegel
Eduardo Vessoni/UOL
A Floresta Negra, no sudoeste da Alemanha, conta com trilhas que podem ser percorridas a bordo de bicicletas elétricas que dão uma ajudinha na hora de cruzar trechos mais elevados ou acidentados do interior da floresta
A Floresta Negra, no sudoeste da Alemanha, conta com trilhas que podem ser percorridas a bordo de bicicletas elétricas que dão uma ajudinha na hora de cruzar trechos mais elevados ou acidentados do interior da floresta
Com os custos de energia aumentando, mais alemães estão usando fogões a lenha para aquecer seus lares. Isso, porém, também levou a um aumento no roubo de árvores nas florestas do país. Os lenhadores estão mais vigilantes.
Com a neve cobrindo o chão, esta é a época do ano perfeita para se aconchegar na frente de uma lareira. Isso, no entanto, deixa os madeireiros alemães nervosos. Quando o mercúrio cai nos termômetros, o roubo de madeira nas florestas do país sobe à medida que as pessoas se voltam para formas mais baratas de aquecer suas casas.
"A floresta é aberta para todos entrarem e as pessoas acham que simplesmente podem pegar o que quiserem, mas não podem!", diz Enno Rosenthal, chefe da associação de agricultores da floresta no estado alemão de Brandemburgo, no nordeste do país. "Naturalmente, essas pilhas de madeira pertencem a alguém e há uma grande quantidade de dinheiro e de trabalho nelas."
O problema foi agravado neste inverno por causa do aumento dos custos da energia. A Associação de Locatários da Alemanha estima que os custos de aquecimento devam subir 22% só neste inverno.
Um dos efeitos colaterais é um número cada vez maior de pessoas voltando a usar fogão a lenha para se aquecer. Os alemães compraram 400 mil fogões a lenha em 2011, informou a revista alemã Focus esta semana. Isso marca a continuação de uma tendência: o número de alemães que compram equipamentos de aquecimento que usam madeira e carvão tem crescido de forma constante desde 2005, de acordo com a companhia de pesquisa de mercado GfK Group.
Esse aumento na demanda também já impulsionou os preços da madeira, levando muitos a abastecer seus fogões com lenha roubada.
Rosenthal disse que no fim de semana passado alguém roubou um pacote inteiro de madeira de carvalho no valor de cerca de 150 euros (US$ 199) de uma floresta privada na cidade de Neuruppin, perto de Berlim. "Muitos lenhadores ao conferirem suas pilhas de madeira, descobriram que elas estavam menores ou tinham desaparecido", disse ele.

Uma zona indefinida
Cerca de 10% da lenha que sai da floresta de Brandenburgo é roubada a cada ano, resultando em perdas de cerca de 500.000 euros, estima Rosenthal. No Estado alemão da Bavária, ao sul, 5% desaparece anualmente diz Hans Bauer, chefe da associação de proprietários florestais do estado.
"Gerou-se uma zona indefinida", diz Rosenthal. "Normalmente, se você vende salsichas, você cria uma empresa e paga impostos, mas com a madeira algumas pessoas são negligentes". Ele diz que muitas pessoas roubam madeira e depois a revendem por meio de anúncios no jornal. Essas vendas, nem é preciso dizer, tendem a ser irregulares.
Outros ladrões são mais espontâneos, diz Bauer. Muitas vezes as pessoas apenas passam de carro na frente de uma pilha de madeira e veem isso como um convite para roubar, diz. "Os motoristas param, abrem o porta-malas, colocam a madeira e vão embora", diz ele. "É muito fácil."
Bauer diz que há alguns anos, um motorista carregou até 2.000 euros em madeira num caminhão e foi embora. Ele acabou sendo preso e pagou uma multa para o proprietário da floresta. Mas Bauer diz que esse tipo de retribuição é raro.
Medidas extremas
Bauer agora aconselha os madeireiros a guardar a madeira dentro das florestas, distante das vias movimentadas e também a cortar toras grandes o bastante para não caber nos carros normais, evitando a tentação para os ladrões casuais.
Muitas vezes, no entanto, mesmo essas medidas não são suficientes. Rosenthal disse que há alguns anos, lenhadores deixavam pilhas de madeira na floresta por até um ano para secar. Agora, porém, ele diz que eles não deixam por mais de um mês antes de levá-las para locais mais seguros. "Manter a madeira sob sua própria vigilância é a melhor proteção", diz Rosenthal.
Na cidade alemã de Hessisch Lichtenau, os madeireiros estão adotando uma abordagem mais extrema, de acordo com o jornal local Hessische/Niedersächsische Allegemeine.
Nos últimos anos, dois grandes roubos de árvores aconteceram na cidade e o estado experimenta perdas de milhões de euros como resultado. O jornal relata que agora alguns lenhadores estão equipando as pilhas de madeira com GPS para rastrear os ladrões.
Tradutor: Eloise de Vylder      

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