Líder republicano na Casa diz que Senado deveria ter votado cortes significativos nos gastos públicos dos EUA
Falta de entendimento pode prejudicar a frágil recuperação da economia americana e afetar Bolsas hoje
RAUL JUSTE LORES - FSP O acordo fiscal que o Senado aprovou na manhã de ontem corre o risco de não ser aprovado pela Câmara, permitindo que uma série de aumento de impostos e cortes de gastos aconteça em 2013.Falta de entendimento pode prejudicar a frágil recuperação da economia americana e afetar Bolsas hoje
O líder dos republicanos da Câmara, Eric Cantor, discorda do aumento de impostos aprovado pelo Senado, sem que o governo dos EUA tenha oferecido cortes significativos nos gastos públicos.
A preocupação maior, com o atraso da votação, é como as Bolsas de valores mundo afora reagirão hoje -sem pacto fiscal, o chamado "abismo fiscal" pode afetar a frágil recuperação da economia americana.
O Congresso americano só pode aprovar o acordo sugerido pelo governo até amanhã de manhã. Na quinta-feira ao meio-dia, tomam posse os novos deputados eleitos em 6 de novembro, no mesmo dia da eleição presidencial que reelegeu Obama. Com o início da nova legislatura, a votação teria que recomeçar do zero.
Na segunda-feira, o presidente Barack Obama enfureceu vários setores do Partido Republicano ao dizer, em discurso, que nenhum acordo significaria o fim de aumentos de impostos para os mais ricos e que não cortaria seus programas sociais.
Fazendo comentários jocosos no discurso, Obama foi considerado "debochado" pelos republicanos.
Entre as concessões feitas pelo presidente Obama, está a de aumentar a alíquota do imposto de renda de 35% para até cerca de 39% só para famílias com renda superior a US$ 450 mil ao ano, ou menos de 1% dos contribuintes.
A proposta anterior era de aumentar o imposto para quem ganha acima de US$ 250 mil/ano, 2% dos contribuintes. Setores à esquerda do Partido Democrata reclamam que o presidente concedeu demais aos republicanos, que são contrários a qualquer aumento de impostos, inclusive aos mais ricos.
Os republicanos continuam acusando o governo de focar demais em aumentar impostos em vez de cortar gastos. Mas o racha no partido ficou claro. O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, aceitou o acordo aprovado no Senado; Cantor, líder republicano na Câmara, se diz contrário.
A divisão no topo do Partido Republicano é considerada um dos maiores obstáculos a qualquer acordo, assim como a pouca vontade de Obama em negociar.
Outra data que pressiona uma votação no Congresso americano é março, quando o deficit público atinge o teto legal e vários cortes de gastos públicos entram compulsoriamente em vigor.
O presidente já afirmou que quer uma reforma tributária geral e que não aceita cortes no plano de saúde, no seguro-desemprego, no crédito universitário e nos estímulos a empresas que pesquisem energias renováveis.
Pacote generoso com os ricos demonstra fraqueza de Obama
DO “NEW YORK TIMES”Pela primeira vez desde que George W. Bush iniciou o longo mergulho dos EUA na dívida, ao reduzir os impostos em 2001, um acordo foi fechado para elevar os impostos pagos pelos ricos.
O acordo é significativo porque começará a reverter o padrão nocivo de lidar com os problemas fiscais de Washington unicamente com cortes nos gastos públicos.
Mas é um pacto fraco, ainda generoso demais com os ricos e que não trará receita suficiente para cobrir a necessidade profunda de investimentos públicos do país.
Os republicanos foram forçados a ceder em sua oposição filosófica ao aumento de impostos, mas fizeram com que fosse impossível alcançar um pacto voltado ao futuro.
A Casa Branca disse que teve de fazer concessões sobre o limite para o aumento de impostos para que fossem renovadas medidas importantes.
Não foi o único preço pago por Obama. O imposto sobre os maiores espólios do país vai subir levemente, mas muito menos do que seria necessário, numa concessão desnecessária às famílias mais ricas.
A batalha está longe de ganha. Ainda é preciso um pacto para acabar com os cortes arbitrários para enxugar US$ 110 bilhões dos orçamentos militar e doméstico. E os republicanos aguardam que o Tesouro atinja seu limite de dívida em algumas semanas, na esperança de ter mais reduções dos gastos públicos.
Obama excluiu negociações sobre o teto da dívida. Mas, como deixa claro esse acordo, ele frequentemente faz concessões no último minuto, e, no caso atual, foram os democratas no Senado que o solaparam. As limitações do acordo mostram quanto os republicanos ganharam em troca de sua intransigência.
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