sábado, 19 de janeiro de 2013

População estrangeira na Espanha diminui pela primeira vez em 15 anos, aponta pesquisa
Charo Nogueira - El Pais         
A Espanha está perdendo população estrangeira pela primeira vez. Algo inédito, desde pelo menos o ano de 1996 – o primeiro com dados comparáveis.
Ficaram para trás os tempos em que se registravam centenas de milhares de chegadas a cada ano. Segundo os dados do cadastro contínuo divulgado na quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no início do ano passado residiam 5.736.258 estrangeiros, 15.229 a menos que no começo de 2011. A Comunidade de Madri foi a grande protagonista da queda. Ao longo de 2011, cinco comunidades perderam população total: Galícia, Castela e Leão, Canárias, Estremadura e Astúrias.
Os especialistas não dão tanta importância à queda no número de estrangeiros. "É muito pequena, depois de cinco anos de uma crise tão dura", alega o demógrafo Antonio Izquierdo, da Universidade da Corunha. Seu colega da Univerdade Complutense, Joaquín Arango, colocou em dúvida os dados do INE.
"As cifras do cadastro não batem com as do censo nem no caso dos espanhóis, nem no dos estrangeiros, apesar de terem sido feitos praticamente no mesmo período", critica.
A queda total da população estrangeira tem vários motivos: a diminuição das chegadas, as naturalizações e as saídas – para outros países ou volta ao país de origem. Mas estes dois últimos fenômenos também podem ter ocorrido ao mesmo tempo. Desde 1999 e até setembro do ano passado, 740.444 estrangeiros obtiveram nacionalidade espanhola, segundo o Ministério da Justiça. As concessões superaram pela primeira vez as 100 mil anuais em 2010 (123.597). Em 2011 caíram para 114.597 e nos primeiros nove meses de 2012 a cifra foi reduzida para 30.748.
Para o cadastro, os naturalizados contam como espanhóis. Sobretudo no caso dos latinos, são "uma transfusão para o número de espanhóis", segundo o demógrafo Izquierdo. "A pequena variação do número de estrangeiros não quer dizer que eles estejam indo embora. Isso pode ser explicado pelo aumento no número de naturalizações", afirma Arango.
A população autóctone no início do ano passado só havia aumentado em 90.057 pessoas, chegando aos 41.529.063 (+0,22%). Esse número também inclui o saldo positivo dos nascimentos diante das mortes. O total de habitantes em 1o de janeiro de 2012 era de 47.265.321.
Entre as 20 nacionalidades com maior presença, as quedas mais acentuadas correspondem aos latino-americanos – entre os quais se registram mais naturalizações. A maior é a dos cidadãos do Equador: 52.536 pessoas a menos, e assim a quarta maior colônia passa a ter 308.174 pessoas (14,6% a menos). Em segundo lugar se situam os colombianos (26.831 a menos, queda de 9,8%), agora em 246.345 na Espanha. A eles se somam bolivianos (6,6% de queda), argentinos (9,5%), peruanos (7,5%) e brasileiros (7,2%). Somente duas nacionalidades latinas aumentaram ligeiramente: paraguaios e dominicanos.

Os romenos continuam sendo a colônia mais abundante: 897.203 pessoas (+3,6%). O maior crescimento relativo foi o de paquistaneses (79.984, +14%) e de chineses (177.001, +5,9%). Mais de 4 em cada 10 estrangeiros são cidadãos da União Europeia (42,6%).
A presença de estrangeiros em 2011 foi estável em quase toda a Espanha. Somente três comunidades registraram uma queda, que foi leve em duas delas: Murcia e Navarra. Em compensação, Madri rompeu com os padrões: perdeu 52.531 residentes de nacionalidade não espanhola (agora são 1.015.054, 15,62%).
"Isso pode ser devido à redistribuição normal da imigração que chega aos grandes núcleos e logo se espalha para outras zonas; além disso essa comunidade pode ter deixado de ser hospitaleira com os estrangeiros. Madri exporta imigrantes, o que não ocorre com a Catalunha", argumenta Antonio Izquierdo. "Os números de Madri são um grande enigma que desafia a credibilidade dos dados do INE", garante Arango. 
Tradutor: Lana Lim

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