quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Surge boa oportunidade para aumentar a poupança
O Estado de S.Paulo
O reajuste do salário mínimo em 9%, para uma inflação abaixo de 6%, deverá ter impacto importante, injetando, em 2013, cerca de R$ 32,7 bilhões na economia. Ao aumentar os benefícios do INSS, elevará o déficit da Previdência em R$ 15 bilhões, e a isenção do Imposto de Renda (IR) sobre os valores recebidos a título de participação nos lucros, até R$ 4,6 mil, produzirá uma redução de R$ 1,8 bilhão das receitas do IR.
Sem pretender discutir o modo como foi calculado o novo mínimo, o principal é examinar qual será a atitude do governo e das autoridades monetárias diante de uma elevação real, isto é, acima da inflação, do poder aquisitivo da população.
Até agora, o governo teve uma única estratégia: canalizar o aumento do poder aquisitivo para o consumo, sem se preocupar, aliás, se a indústria nacional poderia responder a esse aumento da demanda doméstica. Sem alimentar dúvidas de que o governo continuaria nessa linha, a indústria preferiu importar componentes ou bens acabados produzidos a menores custos no Exterior, oferecendo muitas vezes um produto com maior conteúdo tecnológico. Assim, num setor que havia desistido de investir, promoveu-se um processo de desindustrialização, que contribuiu para realimentar as importações.
Nos últimos anos, diante do crescimento do poder aquisitivo da população, o governo favoreceu uma oferta de crédito maior para as pessoas físicas, acompanhada de uma redução da taxa de juros, além de adotar uma série de iniciativas de isenção fiscal para induzir as famílias a aumentar suas compras. Desse modo, conseguiu não somente elevar o endividamento familiar, como a inadimplência, desestimulando as instituições financeiras de oferecer juros mais baixos ao setor produtivo, ao mesmo tempo que contribuía para a queda de receitas, que impede o cumprimento da meta de superávit primário, destinado a cobrir as despesas com o pagamento de juros sobre a dívida pública.
A injeção de recursos do novo mínimo cria uma oportunidade para um aumento da poupança nacional, na hora em que se desejam mais investimentos que poderiam ser por ela financiados. Costuma-se dizer que famílias de baixa renda não costumam economizar para o futuro, o que a pesquisa dos que poupam desmente. Hoje a poupança tem uma remuneração maior que muitas outras aplicações, especialmente para investidores modestos. É um momento oportuno para uma campanha em favor dessas aplicações em cadernetas, podendo até estimular os investidores.

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