Samy Dana - FSP
Não é a primeira vez que alertamos sobre o risco de uma bolha imobiliária no
Brasil em nossa coluna.
Cedo ou tarde, o mercado se conscientizará do estrondoso e irracional aumento
dos preços dos imóveis e, como em um efeito dominó, irá corrigir os preços
rapidamente, como sempre vemos no estouro das bolhas. Vale lembrar que esses
mesmos preços levaram anos para subir.
Essa semana o assunto veio novamente à tona, quando o economista Robert
Shiller, professor da Universidade de Yale, alertou a população sobre a chamada
"crise pontocom" e a bolha imobiliária nos Estados Unidos, e colocou o Brasil em
seus discursos com preocupação.
Segundo Shiller, "os preços dos imóveis vêm dobrando nos últimos anos. As
pessoas agora estão tomando empréstimos para comprar imóveis. Se os preços
entrarem em colapso, vai incorrer no mesmo tipo de problema que tivemos nos
Estados Unidos".
Toda essa especulação excessiva pode ser resumida em quatro pontos:
- O governo já despejou mais de R$ 1 bilhão em crédito no mercado com o programa Minha Casa Minha Vida. E pretende liberar mais R$ 1 bilhão para o programa Minha Casa Melhor - um excelente programa no ponto de vista social, mas que possui efeitos colaterais.
- Há um incentivo forte ao crédito. Em relatório, o Fundo Monetário Internacional (FMI) sugeriu que o governo brasileiro diminuísse a velocidade das concessões de crédito. O governo se preocupa em incentivar a demanda, porém esquece da oferta, que por sinal não acompanha esse movimento.
- Em janeiro desse ano, na tentativa de conter a alta excessiva do dólar, governo retirou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de estrangeiros em aplicações de fundos imobiliários. Se por um lado isso atrai capital para o país, por outro, facilita a formação de uma bolha à medida que é mais fácil para o estrangeiro não só investir mas também especular no país.
- Há um fator cultural e psicológico em que a maior parte dos brasileiros entende a compra de imóvel como um investimento seguro e de ganho infinito, ou seja, grande parte da população acredito que imóveis nunca podem se desvalorizar.
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