segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O Brasil continua um país de crescimento medíocre e não há nenhum vetor estrutural sendo alterado para mudar esse ‘voo de galinha’
Ricardo Setti - VEJA
Agricultura e construção civil surpreendem e alavancam Pibinho no terceiro trimestre
A agricultura e construção civil alavancam o Pibinho no terceiro trimestre, mas "não há nenhuma relação de causa e efeito que indique que o crescimento no Brasil será mais robusto nos próximos dois anos" (Fotos: Dedoc / Editora Abril)
Política & Economia Na Real -  José Márcio Mendonça/Francisco Petros
PIB E PIBINHO – 1
Não deixa de ser significativo o que é comemorado no Brasil nestes estranhos tempos. Começou-se o ano se especulando que o crescimento do PIB gravitaria ao redor de 4%. Já em meados do ano, o próprio governo admitia que este crescimento não seria maior que 2,5%.
Agora o PIB do terceiro trimestre, cujas previsões giravam entre 0,8% e 1,3% no segundo trimestre, “surpreendeu” (+1,5%). Os setores que surpreenderam foram a agricultura (+3,9% registrados contra 1,5% esperados) e a construção civil (+3,8%).
Os outros indicadores foram razoavelmente dentro das expectativas, o que pode ser considerado como bom no atual contexto de desânimo.
A questão é sabermos se houve uma mudança estrutural que justificasse tal desempenho superior. A resposta é não.
A economia brasileira deve cair um pouco em relação ao segundo trimestre e, ao final do ano, subir um pouco. Na contabilidade do ano vamos crescer algo como 2,3%-2,4%, o patamar que os EUA apresentam e que é insatisfatório.
Mas, por aqui, a surpresa faz com que o ministro da Fazenda saia de sua rotina e manifeste a glória de sua política econômica.
O Brasil continua um país de crescimento medíocre e não há nenhum vetor estrutural sendo alterado para que este “voo de galinha” se afaste de nós.
PIB e pibinho – 2
O principal item que acalenta a tendência medíocre do crescimento brasileiro é a ausência de uma visão estratégica para as políticas econômicas. A combinação confiável entre o capital privado e o estatal persiste opaca pelo arranjo entre uma visão ideológica vencida da presidente-ministra da Fazenda Dilma Rousseff e as tendências modernas.
Além disso, o governo flerta com a falta de disciplina fiscal e com a inflação mais alta, controlada, em parte, pela compressão de preços públicos e pela alta (hesitante) da taxa de juros básica.
Não há nenhuma relação de causa e efeito que indique que o crescimento no Brasil será mais robusto nos próximos dois anos.
É essencial que se supere:
1) a inoperância/ineficiência governamental em relação às reformas e ao investimento,
2) a política cambial desindustrializante,
3) o custo elevado do crédito local e
4) a baixa produtividade do setor público.
Isso requererá reformas estruturais que vão da educação à tributação e que o governo e a sociedade gostam de jogar para debaixo do tapete.
Resultado : PIB que cresce a apenas 2,5% ao ano é razão de euforia.

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