Patricia Jolly - Le Monde
Quando seu filho Lucas, de 17 anos e meio, lhe telefonou da porta de seu prédio de Saint-Germain-des-Prés, no 6º distrito de Paris, avisando que um de seus colegas estava subindo para buscar um fone de ouvido, Bernard Mazières, 60, não desconfiou de nada. O jornalista político aposentado acabara de passar uma noite agradável e etílica com vizinhos e amigos. Já Lucas estava aproveitando as férias de Natal para sair e passar a noite em outro lugar, como costumava fazer havia um ano e meio, o que agradava seu pai.
Por volta de 1h30 da madrugada do dia 24 de dezembro de 2010, Bernard Mazières abriu a porta para Dany Manfoumbi, de 25 anos. Algumas horas depois, sua faxineira encontrou Mazières banhado em sangue, com o crânio esmagado na altura da testa e a jugular cortada por alguma arma branca. Sua carteira e seus cartões de banco haviam desaparecido.
Nesta segunda-feira (2), Lucas Mazières e Dany Manfoumbi começaram a ser julgados pelo assassinato de Bernard Mazières perante o tribunal criminal de menores de Paris. As suspeitas logo recaíram sobre a dupla quando a análise do celular de Lucas revelou que ele havia telefonado para seu comparsa 26 vezes no dia 24 de dezembro de 2010, particularmente nas horas que correspondiam às primeiras retiradas de dinheiro efetuadas com os cartões da vítima, que foi desfalcada em 7.500 euros.
Os dois jovens se conheceram na casa de um amigo em comum, pouco mais de um ano antes dos acontecimentos. Lucas contou para Dany, corretor imobiliário em Montreuil (Seine-Saint-Denis), sobre suas relações conflituosas com seu pai. Ele queria "se emancipar", explicou Manfoumbi aos investigadores, "voar com suas próprias asas"; ele acreditava também que não recebia dinheiro suficiente para as férias.
Os pais de Lucas se divorciaram quando ele tinha 3 anos e, embora seu pai sempre tivesse se mostrado carinhoso e atento, as relações se degradaram em 2009, quando Lucas foi expulso --com rumores de ter consumido entorpecentes-- da seleta Escola Ativa Bilíngue que ele frequentava desde o maternal. A partir de então, Lucas enlouqueceu, cabulando aulas, roubando dados bancários de amigos de seu pai para fazer compras pela internet.
Cerca de dez dias antes dos acontecimentos, seu colégio no 6º distrito de Paris havia convocado Bernard Mazières para que ele justificasse as faltas de seu filho. "Um ano e meio em que se acumulou o desprezo que ele tinha por mim. Não havia mais diálogo nenhum e era quase um ódio que se via em seu olhar", contou Lucas aos investigadores, acrescentando que em 2009 ele caíra em um estado depressivo após uma desilusão amorosa. "Era ele ou eu…"
Ele contou sobre sua fantasia de matar o pai para Dany Manfoumbi. Primeiramente por um envenenamento com remédios, para que ele morresse "sem sofrimentos". No dia 10 de dezembro de 2010, em um café de Saint-Germain-des-Prés, Dany, adivinhando que Lucas não teria a coragem de colocar a ideia em prática, se ofereceu para "dar uma mãozinha". Ficou combinado que ele receberia 5.000 euros e um relógio valioso roubado por Lucas durante uma festa na casa de um amigo. "Uma ideia mórbida que caiu nas mãos da pessoa errada", ele tentou explicar depois aos investigadores.
Os dois imaginaram uma encenação. "Deveria acontecer na rua", disse Lucas durante a etapa de instrução. "Ele (Dany) deveria golpear a cabeça de Bernard Mazières por trás, subtrair seu cartão de banco. Eu lhe daria a senha, e ele sacaria o dinheiro para se pagar pelo assassinato." Lucas sabia que naquele momento Dany estava sob condicional por "roubo com agressão". Em fevereiro de 2009, ele havia cortado com um facão o pescoço de um estudante que fazia tráfico de entorpecentes em seu apartamento, de onde também roubou um computador. Isso lhe valeu, no dia 14 de outubro de 2011, uma condenação a 30 meses de prisão pelo tribunal criminal de Paris.
No dia 23 de dezembro de 2009, em uma loja de material de construção, Lucas e Dany compraram um par de luvas, um estilete e um martelo para facilitar o serviço. "Não queríamos que nossa futura vítima sofresse à toa", disse Dany, que confessou o crime já em sua primeira audiência, uma semana depois. Como o jantar no restaurante previsto havia sido cancelado, Dany entrou em ação no apartamento dos Mazières, enquanto Lucas, a par do que estava sendo tramado, saía.
Segundo Dany, Bernard Mazières percebeu o cabo do martelo saindo do bolso de seu casaco. Ele conseguiu pegá-lo e tentou bater em Dany com a outra mão, mas este lhe desferiu uma série de socos no rosto antes de derrubá-lo com uma rasteira. Foi então que Dany o golpeou com o martelo na cabeça. "Ele roncava de um jeito estranho", disse durante o inquérito, afirmando ter hesitado em "chamar socorro" ou "acabar com o sofrimento [de sua vítima]". Em seguida ele usou o martelo para lhe cravar na garganta "como se fosse um prego" uma faca que pegou na cozinha, antes de embolsar sua carteira para fazer com que a cena parecesse um roubo que terminou mal.
Ele se reencontrou com Lucas mais tarde em um café e lhe disse: "Está feito". Depois, sentindo-se mal, voltou para sua casa após se livrar da arma do crime. Já Lucas foi dormir na casa de sua mãe. Naquela noite seu pai havia lhe dito que o amava. "Fazia seis meses que ele não dizia isso", contou o rapaz aos investigadores. Durante a instrução, análises revelaram que Bernard Mazières não era o pai biológico de Lucas. Nenhum dos dois sabia disso na ocasião dos acontecimentos.
Tradutor: UOL
Por volta de 1h30 da madrugada do dia 24 de dezembro de 2010, Bernard Mazières abriu a porta para Dany Manfoumbi, de 25 anos. Algumas horas depois, sua faxineira encontrou Mazières banhado em sangue, com o crânio esmagado na altura da testa e a jugular cortada por alguma arma branca. Sua carteira e seus cartões de banco haviam desaparecido.
Nesta segunda-feira (2), Lucas Mazières e Dany Manfoumbi começaram a ser julgados pelo assassinato de Bernard Mazières perante o tribunal criminal de menores de Paris. As suspeitas logo recaíram sobre a dupla quando a análise do celular de Lucas revelou que ele havia telefonado para seu comparsa 26 vezes no dia 24 de dezembro de 2010, particularmente nas horas que correspondiam às primeiras retiradas de dinheiro efetuadas com os cartões da vítima, que foi desfalcada em 7.500 euros.
Os dois jovens se conheceram na casa de um amigo em comum, pouco mais de um ano antes dos acontecimentos. Lucas contou para Dany, corretor imobiliário em Montreuil (Seine-Saint-Denis), sobre suas relações conflituosas com seu pai. Ele queria "se emancipar", explicou Manfoumbi aos investigadores, "voar com suas próprias asas"; ele acreditava também que não recebia dinheiro suficiente para as férias.
Os pais de Lucas se divorciaram quando ele tinha 3 anos e, embora seu pai sempre tivesse se mostrado carinhoso e atento, as relações se degradaram em 2009, quando Lucas foi expulso --com rumores de ter consumido entorpecentes-- da seleta Escola Ativa Bilíngue que ele frequentava desde o maternal. A partir de então, Lucas enlouqueceu, cabulando aulas, roubando dados bancários de amigos de seu pai para fazer compras pela internet.
Cerca de dez dias antes dos acontecimentos, seu colégio no 6º distrito de Paris havia convocado Bernard Mazières para que ele justificasse as faltas de seu filho. "Um ano e meio em que se acumulou o desprezo que ele tinha por mim. Não havia mais diálogo nenhum e era quase um ódio que se via em seu olhar", contou Lucas aos investigadores, acrescentando que em 2009 ele caíra em um estado depressivo após uma desilusão amorosa. "Era ele ou eu…"
Ele contou sobre sua fantasia de matar o pai para Dany Manfoumbi. Primeiramente por um envenenamento com remédios, para que ele morresse "sem sofrimentos". No dia 10 de dezembro de 2010, em um café de Saint-Germain-des-Prés, Dany, adivinhando que Lucas não teria a coragem de colocar a ideia em prática, se ofereceu para "dar uma mãozinha". Ficou combinado que ele receberia 5.000 euros e um relógio valioso roubado por Lucas durante uma festa na casa de um amigo. "Uma ideia mórbida que caiu nas mãos da pessoa errada", ele tentou explicar depois aos investigadores.
Os dois imaginaram uma encenação. "Deveria acontecer na rua", disse Lucas durante a etapa de instrução. "Ele (Dany) deveria golpear a cabeça de Bernard Mazières por trás, subtrair seu cartão de banco. Eu lhe daria a senha, e ele sacaria o dinheiro para se pagar pelo assassinato." Lucas sabia que naquele momento Dany estava sob condicional por "roubo com agressão". Em fevereiro de 2009, ele havia cortado com um facão o pescoço de um estudante que fazia tráfico de entorpecentes em seu apartamento, de onde também roubou um computador. Isso lhe valeu, no dia 14 de outubro de 2011, uma condenação a 30 meses de prisão pelo tribunal criminal de Paris.
No dia 23 de dezembro de 2009, em uma loja de material de construção, Lucas e Dany compraram um par de luvas, um estilete e um martelo para facilitar o serviço. "Não queríamos que nossa futura vítima sofresse à toa", disse Dany, que confessou o crime já em sua primeira audiência, uma semana depois. Como o jantar no restaurante previsto havia sido cancelado, Dany entrou em ação no apartamento dos Mazières, enquanto Lucas, a par do que estava sendo tramado, saía.
Segundo Dany, Bernard Mazières percebeu o cabo do martelo saindo do bolso de seu casaco. Ele conseguiu pegá-lo e tentou bater em Dany com a outra mão, mas este lhe desferiu uma série de socos no rosto antes de derrubá-lo com uma rasteira. Foi então que Dany o golpeou com o martelo na cabeça. "Ele roncava de um jeito estranho", disse durante o inquérito, afirmando ter hesitado em "chamar socorro" ou "acabar com o sofrimento [de sua vítima]". Em seguida ele usou o martelo para lhe cravar na garganta "como se fosse um prego" uma faca que pegou na cozinha, antes de embolsar sua carteira para fazer com que a cena parecesse um roubo que terminou mal.
Ele se reencontrou com Lucas mais tarde em um café e lhe disse: "Está feito". Depois, sentindo-se mal, voltou para sua casa após se livrar da arma do crime. Já Lucas foi dormir na casa de sua mãe. Naquela noite seu pai havia lhe dito que o amava. "Fazia seis meses que ele não dizia isso", contou o rapaz aos investigadores. Durante a instrução, análises revelaram que Bernard Mazières não era o pai biológico de Lucas. Nenhum dos dois sabia disso na ocasião dos acontecimentos.
Tradutor: UOL
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