Ventos do Norte
Ainda fragilizada, economia europeia segue rota de lenta recuperação; dados
são melhores nos EUA, que podem ganhar vigor em 2014
FSP
Não é por acaso que as taxas de juros de longo prazo sobem na Europa e nos
EUA. A perspectiva mais favorável para o crescimento das economias desenvolvidas
tem se consolidado nos últimos meses.
Os piores efeitos da crise financeira parecem, de fato, ter ficado para trás,
sobretudo nos EUA. São muitos os desafios, contudo, e os principais bancos
centrais preocupam-se em demonstrar que serão cautelosos no manejo da política
monetária, a fim de não descarrilar a incipiente recuperação.
No caso europeu, o crescimento de 0,3% no segundo trimestre marcou a saída da
mais longa recessão das últimas décadas. Os indicadores apontam para aceleração
no restante do ano.
O retorno ao crescimento também veio nos países mais afetados, como Portugal,
Itália e Espanha. Para 2014, o Banco Central Europeu (BCE) projeta crescimento
de 1% na zona do euro.
O principal fator para a melhora é o sucesso do BCE em reduzir temores de
ruptura do euro e reverter a fuga de capitais da periferia. Houve avanços na
arquitetura da moeda única, com a criação de mecanismos comuns de financiamento
e de supervisão bancária.
Por fim, o aperto fiscal recessivo deve amainar a partir de 2014, pois foi
alongado o período para que os países com maiores deficit façam seus ajustes.
Mesmo assim, a sensação é de fragilidade. Permanece o alto desemprego, e o
crédito bancário continua estagnado. Por isso, o crescimento ainda deve ser
lento.
É melhor o cenário nos EUA. Neste ano, o crescimento deve ficar próximo de
2%, por causa da forte contração fiscal em curso. Quando esse ajuste diminuir,
em 2014, a alta do PIB poderá superar 3%. A força da economia americana poderá
puxar a Europa e, em alguma medida, também os emergentes.
Eis por que a grande questão, para os mercados, diz respeito ao ajuste da
política monetária americana, depois de quase cinco anos de taxas de juros perto
de zero.
Ainda neste mês, o Fed (banco central dos EUA) deve dar o primeiro passo,
bastante esperado --começará a reduzir o montante de dinheiro que põe na praça,
hoje US$ 85 bilhões ao mês.
A etapa seguinte será aumentar os juros. O Fed tem se preocupado em dizer que
a primeira alta só virá com o desemprego abaixo de 6,5%, ou até menos. Isso só
ocorreria em 2015. Qualquer ajuste, por isso, ainda parece distante.
Não se pode ignorar, porém, que os custos de financiamento subirão nos
próximos anos, com impactos para os emergentes. Daí o comunicado do G20 pedir
que os bancos centrais dos países desenvolvidos "calibrem cuidadosamente e
comuniquem claramente" as mudanças na política monetária.
Embora a cooperação seja sempre positiva, não custa lembrar que cabe a cada
país a responsabilidade de cuidar bem de seu quintal.
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