Em 2014 serão liberadas as restrições a trabalhos aos dois países; crítico búlgaro diz que medo britânico é exagerado
OM
O Reino Unido é um dos destinos mais atrativos para imigrantes “em parte por causa do mercado de trabalho flexível e da facilidade de acesso ao bem estar social”, diz o Migration Watch UK, responsável pela pesquisa. Justamente por isso o presidente Andrew Green alerta que “é provável que a escala tenha consequências significantes para a habitação e serviços públicos”, além de “aumentar a competição que trabalhadores britânicos já enfrentam”.
A estimativa, porém, pode variar entre 30 e 70 mil búlgaros e romenos a cada ano e o grupo admitiu que não havia “base estatística pura” na produção das estimativas e que “foi uma questão de julgamento a partir dos fatos”. Por outro lado, o cálculo de 155 a 425 mil em apenas dois anos, do parlamentar conservador Phillip Hollobone, “parece exagerada”.
“Dado que temos uma escassez de habitação, qualquer influxo da Bulgária e Romênia causará problemas”, disse Eric Pickles, Secretário de Estado para Comunidades e Governo Local, à BBC. “Estamos trabalhando para cortar a migração de centenas de milhares para dezenas de milhares até o fim desse Parlamento e nossas duras regras já estão fazendo efeito, com a migração geral caindo um quarto no ano passado”, complementou uma porta-voz do departamento doméstico britânico. Theresa May, secretária do órgão, já havia indicado que é a favor de dar um fim à livre movimentação de trabalhadores da EU.
Cameron está sob pressão de membros do Partido Conservador e Unionista (que governa o país com a coalizão dos Liberais Democratas, do qual o primeiro-ministro faz parte) para que se posicione para repatriar poderes atualmente nas mãos da UE, o que permitiria ao Reino Unido estabelecer suas próprias políticas imigratórias. O premiê criou um comitê ministerial para examinar as leis de acesso a benefícios imigrantes.
Um documento da Agência de Fronteira britânica, escrito no fim de 2011 para definir se deveria ser estendida a política de trabalhadores imigrantes de países que entraram por último na UE -- Bulgária e Romênia, em 2007 --, concluiu que a liberação de trabalho causaria a vinda de mais trabalhadores estrangeiros causaria prejuízos a trabalhadores residentes e a salários. Permissões seriam normalmente concedidas a estrangeiros com uma proposta de trabalho específica, quando o empregador já não tiver achado um britânico qualificado.
O período máximo de sete anos de restrições a partir da entrada dos países na UE é dividido em três partes. É permitido pelos dois primeiros anos após a entrada dos países no bloco, estendidos por mais três, e depois continuados pelos últimos dois somente se o mercado de trabalho doméstico estiver experimentando distúrbios ou ameaças sérias. Assim, as restrições não podem ultrapassar o último dia de 2013.
Visão búlgara
Um artigo do The Guardian joga outra luz à questão. Para Ivan Krastev, e falando em nome da Bulgária, o medo do governo britânico de que haja uma imigração de pobres em busca de benefícios sociais é exagerado. E mais: Cameron, consciente de que seus cidadãos estão preocupados com a imigração, quer se mostrar incisivo no assunto e angariar votos.
Para isso, menciona o estudo sobre migração trabalhista conduzido ano passado pelo Open Society Insitute, de Sofia, intitulado "Restrições fazem sentido?". O relatório indica que a maior onda de emigração do país aconteceu nos anos 1990, e desde a inclusão do país na UE, em 2007, os números na verdade declinaram. As restrições ao mercado de trabalho inglês nem teriam afetado a escolha de destino de búlgaros: eles preferiram ir à Espanha, que tem seu mercado de trabalho aberto, e à Alemanha, que ainda tem as restrições.
O desemprego búlgaro é de 12,4%, menor que dos gregos e espanhóis. Mais de 84% dos búlgaros ciganos, também chamados de população Roma e muito criticados pela “delinquência” e “preguiça de trabalhar”, possui trabalho no exterior. Eles, aliás, preferem ir a países como Grécia, com menores custos de viagem e clima mais favorável. Para Krastev, os búlgaros provavelmente não foram as vítimas corretas, mas eram as mais convenientes.* Com informações de The Telegraph e The Guardian
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