Salvador Camarena - El Pais
Frágil. Emperrado. Encurralado. Em crise. Nos últimos dias de agosto, assim se qualificava na imprensa mexicana o governo de Enrique Peña Nieto. O presidente perdeu o impulso das primeiras semanas de seu mandato, quando surpreendeu com o Pacto pelo México (uma ambiciosa agenda de reformas respaldadas pelos três principais partidos do país), ou quando colocou na prisão a odiada líder do sindicato de professores, Elba Esther Gordillo. Da lona em que o colocam seus críticos, nas primeiras horas de setembro o presidente iniciou a contraofensiva.
Frágil. Emperrado. Encurralado. Em crise. Nos últimos dias de agosto, assim se qualificava na imprensa mexicana o governo de Enrique Peña Nieto. O presidente perdeu o impulso das primeiras semanas de seu mandato, quando surpreendeu com o Pacto pelo México (uma ambiciosa agenda de reformas respaldadas pelos três principais partidos do país), ou quando colocou na prisão a odiada líder do sindicato de professores, Elba Esther Gordillo. Da lona em que o colocam seus críticos, nas primeiras horas de setembro o presidente iniciou a contraofensiva.
Peña Nieto demonstrou decisão ao fazer que a Câmara de Deputados aprovasse na madrugada de ontem a polêmica lei do Serviço Profissional Docente. Faz parte da reforma educacional que seu governo empreendeu e que se encontrava emperrada pela rejeição tanto de especialistas em educação quanto dos professores da poderosa Coordenadoria Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE), que realiza protestos há várias semanas na capital mexicana. A lei foi aprovada com os votos do Partido Revolucionário Institucional (PRI), do Partido Ação Nacional (PAN) e parte do Partido da Revolução Democrática (PRD).
"Comemoro que, de forma inédita, poucas horas depois de iniciar seus trabalhos [o novo período de sessões legislativas começou no domingo], a Câmara de Deputados tenha aprovado a nova lei do Serviço Profissional Docente", disse o presidente mexicano ontem, ao começar na residência oficial de Los Pinos seu primeiro relatório de governo relativo aos primeiros nove meses de sua administração. "É um passo muito importante e transcendental para garantir a qualidade da educação."
Com essa reação súbita, que surpreendeu os professores dissidentes --que rejeitam os mecanismos de avaliação de seu trabalho previstos na lei-- e parte da esquerda, Peña Nieto rompeu o impasse em que caiu depois que os protestos do setor educacional o obrigaram a frear a iniciativa que pretendia aprovar em agosto.
A lei havia sido congelada depois da chegada ao Distrito Federal de milhares de professores da CNTE. Esse sindicato surgiu em 1979 como dissidência do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Educação (SNTE), em protesto contra a corrupção e a cumplicidade com os governos do PRI. Com os anos, porém, a Coordenadoria foi acusada de ter caído nos mesmos vícios que pretendia combater.
Os professores, provenientes sobretudo de Oaxaca, reclamaram a suspensão da Lei do Serviço Profissional Docente. Para pressionar, bloquearam os acessos ao Congresso em 21 de agosto. Nos dias seguintes, bloquearam parcialmente o acesso ao aeroporto do México-DF e estrangularam artérias importantes durante mais de cinco horas, deixando dezenas de milhares de veículos parados.
Peña Nieto fez em seu discurso de primeiro relatório do governo uma defesa do direito das minorias, mas advertiu que não têm direito a se impor à maioria. "No México de hoje a democracia respeita as minorias, mas em todo momento as minorias devem respeitar a democracia, suas instituições e as liberdades de todos", afirmou.
As palavras do presidente concordam com as pronunciadas na tarde de domingo passado pelo secretário de Governo (ministro do Interior), Miguel Ángel Osorio Chong, que declarou: "Em nosso país ninguém pode impor sua verdade aos demais, as ideologias não devem ficar acima das soluções, nem os interesses de alguns se antepõem ao bem-estar da maioria. Os mexicanos exigem soluções para problemas e não problemas a cada solução que se apresenta."
A mensagem do governo foi clara para os professores, mas vai além da reforma educacional, que está praticamente aprovada, faltando a ratificação no Senado. Mas estão perto os debates da polêmica reforma energética e de uma não menos controversa nova lei fiscal. A esquerda, tanto setores moderados como radicais, manifestou sua rejeição à proposta governamental de abrir a Petróleos Mexicanos (Pemex) à iniciativa privada mediante contratos de utilidade compartilhada.
Em seu relatório, Peña Nieto não deixa lugar a dúvidas sobre o que pretende. Chamou a fazer história, a usar os 120 dias que restam de 2013 para fazer deste "o ano em que o México se atreveu a decolar", mas também advertiu: "Há inércias e resistências a vencer [...], respeitarei os direitos de todos, mas também estou decidido a usar todos os instrumentos do Estado democrático para promover as transformações que a grande maioria dos mexicanos reclama".
A primeira resposta ao chamado de Peña Nieto veio da Coordenadoria de professores. Poucos minutos depois de terminado o relatório, preparava-se para realizar uma marcha a Los Pinos, em protesto novamente contra a lei aprovada de madrugada, considerada pelos professores e por parte da esquerda como um ato de guerra dos piores.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
"Comemoro que, de forma inédita, poucas horas depois de iniciar seus trabalhos [o novo período de sessões legislativas começou no domingo], a Câmara de Deputados tenha aprovado a nova lei do Serviço Profissional Docente", disse o presidente mexicano ontem, ao começar na residência oficial de Los Pinos seu primeiro relatório de governo relativo aos primeiros nove meses de sua administração. "É um passo muito importante e transcendental para garantir a qualidade da educação."
Com essa reação súbita, que surpreendeu os professores dissidentes --que rejeitam os mecanismos de avaliação de seu trabalho previstos na lei-- e parte da esquerda, Peña Nieto rompeu o impasse em que caiu depois que os protestos do setor educacional o obrigaram a frear a iniciativa que pretendia aprovar em agosto.
A lei havia sido congelada depois da chegada ao Distrito Federal de milhares de professores da CNTE. Esse sindicato surgiu em 1979 como dissidência do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Educação (SNTE), em protesto contra a corrupção e a cumplicidade com os governos do PRI. Com os anos, porém, a Coordenadoria foi acusada de ter caído nos mesmos vícios que pretendia combater.
Os professores, provenientes sobretudo de Oaxaca, reclamaram a suspensão da Lei do Serviço Profissional Docente. Para pressionar, bloquearam os acessos ao Congresso em 21 de agosto. Nos dias seguintes, bloquearam parcialmente o acesso ao aeroporto do México-DF e estrangularam artérias importantes durante mais de cinco horas, deixando dezenas de milhares de veículos parados.
Peña Nieto fez em seu discurso de primeiro relatório do governo uma defesa do direito das minorias, mas advertiu que não têm direito a se impor à maioria. "No México de hoje a democracia respeita as minorias, mas em todo momento as minorias devem respeitar a democracia, suas instituições e as liberdades de todos", afirmou.
As palavras do presidente concordam com as pronunciadas na tarde de domingo passado pelo secretário de Governo (ministro do Interior), Miguel Ángel Osorio Chong, que declarou: "Em nosso país ninguém pode impor sua verdade aos demais, as ideologias não devem ficar acima das soluções, nem os interesses de alguns se antepõem ao bem-estar da maioria. Os mexicanos exigem soluções para problemas e não problemas a cada solução que se apresenta."
A mensagem do governo foi clara para os professores, mas vai além da reforma educacional, que está praticamente aprovada, faltando a ratificação no Senado. Mas estão perto os debates da polêmica reforma energética e de uma não menos controversa nova lei fiscal. A esquerda, tanto setores moderados como radicais, manifestou sua rejeição à proposta governamental de abrir a Petróleos Mexicanos (Pemex) à iniciativa privada mediante contratos de utilidade compartilhada.
Em seu relatório, Peña Nieto não deixa lugar a dúvidas sobre o que pretende. Chamou a fazer história, a usar os 120 dias que restam de 2013 para fazer deste "o ano em que o México se atreveu a decolar", mas também advertiu: "Há inércias e resistências a vencer [...], respeitarei os direitos de todos, mas também estou decidido a usar todos os instrumentos do Estado democrático para promover as transformações que a grande maioria dos mexicanos reclama".
A primeira resposta ao chamado de Peña Nieto veio da Coordenadoria de professores. Poucos minutos depois de terminado o relatório, preparava-se para realizar uma marcha a Los Pinos, em protesto novamente contra a lei aprovada de madrugada, considerada pelos professores e por parte da esquerda como um ato de guerra dos piores.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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