Der Spiegel
Uma era chega ao fim no International Herald Tribune. Em breve o jornal será rebatizado como International New York Times. Em entrevista à Spiegel, os jornalistas Stephen Dunbar-Johnson e Dick Stevenson discutiram a mudança de nome e o futuro do jornalismo independente.
Spiegel: The International Herald Tribune é uma marca icônica do jornalismo global. Em outubro, o jornal será rebatizado como International New York Times. Por que vocês estão abrindo mão de uma marca reconhecida internacionalmente?
Dunbar-Johnson: The New York Times Company deixou muito claro ao longo do último ano e meio que o nosso foco é a marca New York Times. Foi por isso que a empresa vendeu jornais regionais e o Boston Globe. E é também por isso que ela quer renomear o IHT. Acreditamos que o futuro do nosso jornalismo e a possibilidade de sustentar o tipo de jornalismo que produzimos depende em grande parte da nossa capacidade de fazer com que os leitores paguem pelo nosso conteúdo online. Temos cerca de 699 mil assinantes digitais hoje, e apenas cerca de 10% vêm de fora dos Estados Unidos. Por isso, achamos que há uma grande oportunidade de crescimento.
Spiegel: Vocês querem atrair mais leitores internacionais apagando o nome International Herald Tribune e colocando "New York" de volta no título?
Stevenson: The International Herald Tribune é a nossa marca na mídia impressa. Há algum tempo não temos um site do International Herald Tribune, nosso website tem sido o nytimes.com. No mundo digital, e é aí que queremos crescer, o New York Times é a marca mais forte. E nós acreditamos que devemos ter uma única marca global de mídia para competir por leitores e anunciantes.
Spiegel: Em um tempo em que a lealdade dos leitores para com os jornais está erodindo, vocês não temem correr o risco de espantar leitores ao mudar o nome do jornal?
Dunbar-Johnson: É claro que alguns verão isso como o fim de uma era. Mas o que conta é se o conteúdo do jornal é relevante para seus leitores. A marca no topo? Acho que as pessoas vão superar isso muito rapidamente. A propósito, o jornal teve "New York" no nome por mais de 80 anos em seus 125 anos de história, então não é novidade para nós.
Spiegel: Ainda soa um pouco como sacrificar o International Herald Tribune pelo bem e pela sobrevivência do carro-chefe New York Times.
Stevenson: Sacrificar? As mesmas pessoas que produzem o jornal continuam lá, os mesmos jornalistas, e isso não vai mudar. Não estamos reduzindo nossa equipe, não estamos mudando nossa perspectiva. A nova marca é uma promessa de oferecer mais aos leitores, não menos!
Spiegel: O Washington Post acaba de ser vendido para o diretor da Amazon.com, Jeff Bezos. Quanto tempo o New York Times conseguirá ficar independente?
Dunbar-Johnson: Fico um pouco irritado quando as pessoas fazem essa comparação preguiçosa. Tanto Arthur Sulzberger quanto Michael Dourado deixaram bem claro que o New York Times não está à venda. Todos nós do setor da mídia enfrentamos condições muito desafiadoras, ninguém pode negar isso. Mas aqueles que pensam que a empresa New York Times está no mesmo lugar que o Washington Post estão errados. O New York Times manteve o investimento em sucursais no mundo inteiro, mesmo em tempos difíceis, o Post está muito atrás no conteúdo fechado, estamos numa situação muito diferente.
Spiegel: O acordo com Bezos é a vitória final sobre o jornal impresso, a humilhação definitiva?
Dunbar-Johnson: Na verdade, não. Se alguém quer investir em jornalismo de qualidade, não importa se ele vem do meio digital ou de outro meio. A única coisa que importa é se ele vai investir no fortalecimento do jornalismo de qualidade. Bezos é um inovador, ele é muito paciente --e ele vai precisar de ambas as qualidades no Washington Post. Seu histórico sugere que ele tem uma chance muito boa de ter sucesso, e espero que tenha.
Stevenson: Eu não tenho certeza de que há um grande número de jornais que vão atrair bilionários, então isso não vai se repetir mais e mais. O que isso significa para o New York Times é que, possivelmente, temos um concorrente que agora tem um apoio financeiro forte para experimentar, para tentar descobrir como quer fazer a transição para uma redação digital.
Spiegel: O Boston Globe e o Washington Post acabaram de ser vendidos; na Alemanha, Axel Springer vendeu muitos de seus jornais. Estamos presenciando atualmente uma liquidação da velha imprensa tradicional?
Stevenson: Alguns jornais simplesmente chegaram ao ponto em que já não têm mais capacidade financeira para investir na era digital. Mas, no caso do New York Times, acreditamos que temos um futuro brilhante. Sempre que colocamos nosso jornalismo diante de novos públicos e mostramos o que podemos fazer, as pessoas geralmente estão dispostas a pagar por isso. Não temos nenhuma razão para pensar que isso vai mudar.
Entrevista conduzida por Isabell Hülsen.
Tradutor: Eloise De Vylder
Spiegel: The International Herald Tribune é uma marca icônica do jornalismo global. Em outubro, o jornal será rebatizado como International New York Times. Por que vocês estão abrindo mão de uma marca reconhecida internacionalmente?
Dunbar-Johnson: The New York Times Company deixou muito claro ao longo do último ano e meio que o nosso foco é a marca New York Times. Foi por isso que a empresa vendeu jornais regionais e o Boston Globe. E é também por isso que ela quer renomear o IHT. Acreditamos que o futuro do nosso jornalismo e a possibilidade de sustentar o tipo de jornalismo que produzimos depende em grande parte da nossa capacidade de fazer com que os leitores paguem pelo nosso conteúdo online. Temos cerca de 699 mil assinantes digitais hoje, e apenas cerca de 10% vêm de fora dos Estados Unidos. Por isso, achamos que há uma grande oportunidade de crescimento.
Spiegel: Vocês querem atrair mais leitores internacionais apagando o nome International Herald Tribune e colocando "New York" de volta no título?
Stevenson: The International Herald Tribune é a nossa marca na mídia impressa. Há algum tempo não temos um site do International Herald Tribune, nosso website tem sido o nytimes.com. No mundo digital, e é aí que queremos crescer, o New York Times é a marca mais forte. E nós acreditamos que devemos ter uma única marca global de mídia para competir por leitores e anunciantes.
Spiegel: Em um tempo em que a lealdade dos leitores para com os jornais está erodindo, vocês não temem correr o risco de espantar leitores ao mudar o nome do jornal?
Dunbar-Johnson: É claro que alguns verão isso como o fim de uma era. Mas o que conta é se o conteúdo do jornal é relevante para seus leitores. A marca no topo? Acho que as pessoas vão superar isso muito rapidamente. A propósito, o jornal teve "New York" no nome por mais de 80 anos em seus 125 anos de história, então não é novidade para nós.
Spiegel: Ainda soa um pouco como sacrificar o International Herald Tribune pelo bem e pela sobrevivência do carro-chefe New York Times.
Stevenson: Sacrificar? As mesmas pessoas que produzem o jornal continuam lá, os mesmos jornalistas, e isso não vai mudar. Não estamos reduzindo nossa equipe, não estamos mudando nossa perspectiva. A nova marca é uma promessa de oferecer mais aos leitores, não menos!
Spiegel: O Washington Post acaba de ser vendido para o diretor da Amazon.com, Jeff Bezos. Quanto tempo o New York Times conseguirá ficar independente?
Dunbar-Johnson: Fico um pouco irritado quando as pessoas fazem essa comparação preguiçosa. Tanto Arthur Sulzberger quanto Michael Dourado deixaram bem claro que o New York Times não está à venda. Todos nós do setor da mídia enfrentamos condições muito desafiadoras, ninguém pode negar isso. Mas aqueles que pensam que a empresa New York Times está no mesmo lugar que o Washington Post estão errados. O New York Times manteve o investimento em sucursais no mundo inteiro, mesmo em tempos difíceis, o Post está muito atrás no conteúdo fechado, estamos numa situação muito diferente.
Spiegel: O acordo com Bezos é a vitória final sobre o jornal impresso, a humilhação definitiva?
Dunbar-Johnson: Na verdade, não. Se alguém quer investir em jornalismo de qualidade, não importa se ele vem do meio digital ou de outro meio. A única coisa que importa é se ele vai investir no fortalecimento do jornalismo de qualidade. Bezos é um inovador, ele é muito paciente --e ele vai precisar de ambas as qualidades no Washington Post. Seu histórico sugere que ele tem uma chance muito boa de ter sucesso, e espero que tenha.
Stevenson: Eu não tenho certeza de que há um grande número de jornais que vão atrair bilionários, então isso não vai se repetir mais e mais. O que isso significa para o New York Times é que, possivelmente, temos um concorrente que agora tem um apoio financeiro forte para experimentar, para tentar descobrir como quer fazer a transição para uma redação digital.
Spiegel: O Boston Globe e o Washington Post acabaram de ser vendidos; na Alemanha, Axel Springer vendeu muitos de seus jornais. Estamos presenciando atualmente uma liquidação da velha imprensa tradicional?
Stevenson: Alguns jornais simplesmente chegaram ao ponto em que já não têm mais capacidade financeira para investir na era digital. Mas, no caso do New York Times, acreditamos que temos um futuro brilhante. Sempre que colocamos nosso jornalismo diante de novos públicos e mostramos o que podemos fazer, as pessoas geralmente estão dispostas a pagar por isso. Não temos nenhuma razão para pensar que isso vai mudar.
Entrevista conduzida por Isabell Hülsen.
Tradutor: Eloise De Vylder
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