Diante do prazo de uma intervenção militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Síria, Israel tem um papel indefinido, se atendo primeiramente à ambivalência de sua posição: ainda que os dirigentes do Estado judaico apoiem o princípio de ataques "punitivos" contra o regime de Bashar Assad, acusado de ter usado armas químicas contra sua população, eles não estão certos de que querem a saída do presidente sírio, pois isso pode favorecer grupos islamitas radicais, alguns deles próximos da Al Qaeda.
Embora o chefe do governo israelense, Binyamin Netanyahu, tenha imposto o silêncio a seus ministros para evitar declarações intempestivas que possam atrapalhar a estratégia política de Barack Obama no Congresso americano, ele não deixa dúvidas de que esta é vista em Jerusalém como sinal de postergações e indecisão em Washington. "Israel esperava por uma réplica militar rápida e determinada", analisa um alto diplomata israelense, "e evidentemente isso está se desfazendo. Essa demora é interpretada em todo o Oriente Médio como uma manifestação de fraqueza e uma perda de credibilidade para a administração americana, ou até como uma carta branca dada aos ditadores árabes para usarem todas as armas à sua disposição."
Os dirigentes israelenses estão cientes da degradação da influência dos Estados Unidos na região desde o início da "primavera árabe". Eles sabem que não podem influenciar no curso dos acontecimentos na Síria, mas ficam apreensivos com as consequências dos ataques militares contra o regime de Damasco. Se estes forem limitados e pouco eficazes, Bashar al-Assad poderá se gabar de ter resistido não somente à sua oposição armada, como também aos onipotentes Estados Unidos. Já uma "punição" excessiva comporta o risco de mudar o equilíbrio de forças na Síria, ou até de provocar a queda do regime.
Se a primeira hipótese prevalecer, afirma Shlomo Brom, "Bashar terá menos razões para efetuar represálias contra Israel, porque ele sabe que a resposta será devastadora". Os especialistas observam que em 2007 e em 2013 as forças armadas israelenses conseguiram realizar ofensivas militares na Síria sem provocar qualquer reação de Damasco, e eles esperam que o mesmo aconteça se Washington decidir intervir. No entanto, e embora nenhuma agitação securitária possa ser percebida no país, Israel se diz preparado para todas as hipóteses, inclusive a do lançamento de armas químicas contra seu território.
"Existe uma profunda desconfiança no país, sobretudo entre os políticos, quanto à determinação do presidente Obama de considerar uma ação militar contra o Irã", constata Brom. "Se o isolacionismo histórico que prevalece de maneira recorrente em Washington vencer, poderemos tirar algumas conclusões", fala com cautela um diplomata israelense. E quais? Netanyahu vem repetindo há meses: Israel, afinal, só deve contar consigo mesmo no que diz respeito à sua segurança. Em outras palavras, ele deve considerar sozinho os ataques contra o Irã.
O debate sobre essa questão tampouco está decidido: os céticos observam que se o presidente Obama hesitar no caso sírio, ele hesitará mais ainda a respeito do Irã, uma operação militar potencialmente bem mais complexa. Os pragmáticos corrigem essa comparação, ressaltando que a ameaça de um Irã nuclear é totalmente diferente do uso de armas químicas, uma vez que envolve toda a comunidade internacional.
Conheça os pontos básicos das negociações entre Israel e palestinos
Esse debate, confirma Shlomo Brom, especialista no Instituto de Estudos Estratégicos (INSS) de Tel Aviv, não está encerrado. "Alguns políticos", ele explica, "defendem a ideia de que a queda de Bashar enfraquecerá o Irã, o que é de nosso interesse; ao passo que outros insistem na manutenção da estabilidade em nossas fronteiras com a Síria e o Líbano, algo que tende a pleitear pela continuidade do regime. "A curto prazo, todos concordam que a atual indefinição é perigosa."
O jogo israelense em Washington é ao mesmo tempo sutil e arriscado
"Talvez seja injusto", ele diz, "porque na verdade Obama precisa preservar o apoio do Congresso, sobretudo se ele quiser intervir posteriormente contra o programa nuclear iraniano, mas é assim que ele é visto". Nesse contexto, o jogo israelense em Washington é ao mesmo tempo sutil e arriscado: "De um lado, o lobby pró-israelense deve apoiar a posição da Casa Branca em favor da intervenção; de outro, Israel não deve aparecer como se tivesse arrastado os Estados Unidos para dentro de uma nova guerra no Oriente Médio", afirma nosso interlocutor.Os dirigentes israelenses estão cientes da degradação da influência dos Estados Unidos na região desde o início da "primavera árabe". Eles sabem que não podem influenciar no curso dos acontecimentos na Síria, mas ficam apreensivos com as consequências dos ataques militares contra o regime de Damasco. Se estes forem limitados e pouco eficazes, Bashar al-Assad poderá se gabar de ter resistido não somente à sua oposição armada, como também aos onipotentes Estados Unidos. Já uma "punição" excessiva comporta o risco de mudar o equilíbrio de forças na Síria, ou até de provocar a queda do regime.
Se a primeira hipótese prevalecer, afirma Shlomo Brom, "Bashar terá menos razões para efetuar represálias contra Israel, porque ele sabe que a resposta será devastadora". Os especialistas observam que em 2007 e em 2013 as forças armadas israelenses conseguiram realizar ofensivas militares na Síria sem provocar qualquer reação de Damasco, e eles esperam que o mesmo aconteça se Washington decidir intervir. No entanto, e embora nenhuma agitação securitária possa ser percebida no país, Israel se diz preparado para todas as hipóteses, inclusive a do lançamento de armas químicas contra seu território.
"Há uma profunda desconfiança no país"
Os comentários otimistas defendem a teoria segundo a qual a inação imposta pela Casa Branca poderia permitir a abertura de uma "janela de oportunidade" diplomática que possibilitaria considerar --com a ajuda da Rússia-- o aniquilamento dos estoques de armas químicas de Damasco. Mas a questão síria é, de certa maneira, secundária para o Estado judaico. Se a atitude americana na relação de forças com Damasco assume tal acuidade, é na medida em que ela pode prefigurar a atitude de Barack Obama quando a ameaça iraniana se tornar real. Sem chegar a uma conclusão, todos os comentaristas israelenses se perguntam: apesar das garantias do chefe da Casa Branca, pode Israel contar com seu maior aliado?"Existe uma profunda desconfiança no país, sobretudo entre os políticos, quanto à determinação do presidente Obama de considerar uma ação militar contra o Irã", constata Brom. "Se o isolacionismo histórico que prevalece de maneira recorrente em Washington vencer, poderemos tirar algumas conclusões", fala com cautela um diplomata israelense. E quais? Netanyahu vem repetindo há meses: Israel, afinal, só deve contar consigo mesmo no que diz respeito à sua segurança. Em outras palavras, ele deve considerar sozinho os ataques contra o Irã.
O debate sobre essa questão tampouco está decidido: os céticos observam que se o presidente Obama hesitar no caso sírio, ele hesitará mais ainda a respeito do Irã, uma operação militar potencialmente bem mais complexa. Os pragmáticos corrigem essa comparação, ressaltando que a ameaça de um Irã nuclear é totalmente diferente do uso de armas químicas, uma vez que envolve toda a comunidade internacional.
Conheça os pontos básicos das negociações entre Israel e palestinos
| ESTADO PALESTINO | Os palestinos aspiram a um Estado plenamente soberano e independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental. Israel quer um Estado palestino desmilitarizado, uma presença militar no longo prazo no Vale da Cisjordânia da Jordânia e a manutenção do controle de seu espaço aéreo e das fronteiras exteriores. |
| FRONTEIRAS E ASSENTAMENTOS JUDEUS | Os palestinos desejam que Israel saia dos territórios que ocupou após a Guerra dos Seis Dias de 1967 e desmantele por completo os assentamentos judeus. Israel descarta voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas está pronto para deixar algumas regiões da Cisjordânia, ao mesmo tempo em que anexa os maiores assentamentos, onde vivem cerca de 360 mil israelenses, incluindo alguns de Jerusalém Oriental. Os palestinos pedem um congelamento do processo de colonização enquanto durarem as colonizações de paz. |
| JERUSALÉM | Israel arrebatou a zona árabe de Jerusalém da Jordânia em 1967 e depois a anexou, uma medida que nunca foi reconhecida pela comunidade internacional. Os israelenses consideram a cidade como sua capital "eterna e indivisível". Os palestinos querem fazer de Jerusalém Oriental, lar de 280 mil palestinos e de mais de 200 mil israelenses, a capital de seu futuro Estado. |
| REFUGIADOS | Há cerca de 5 milhões de palestinos registrados oficialmente como refugiados, a maioria deles descendentes dos 760 mil palestinos que foram expulsos de suas terras na criação do Estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça seu "direito ao retorno" e pedem que durante as negociações de paz aceite o princípio da pertinência desta exigência, cuja concretização seria acordada entre as duas partes. Israel rejeita o direito ao retorno. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu quer, por sua vez, que os palestinos reconheçam o Estado de Israel como "o estado do povo judeu". |
| ÁGUA | Israel controla a maioria das fontes subterrâneas da Cisjordânia. Os palestinos querem uma distribuição mais igualitária do recurso. |
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