quinta-feira, 16 de agosto de 2012

RÚSSIA: A GEOPOLÍTICA DE PUTIN

Rússia preparou com antecedência guerra na Geórgia, admite governo
Le Monde
Quatro anos após a guerra-relâmpago de agosto de 2008 pelo controle de uma região separatista georgiana, a Rússia e a Geórgia continuam a jogar uma sobre a outra a responsabilidade pelo desencadeamento do conflito. E não são as revelações feitas esta semana por Vladimir Putin que vão acalmar os ânimos. Na ocasião do quarto aniversário da guerra, Putin garantiu que Moscou havia se preparado com bastante antecedência para um eventual conflito com a Geórgia, e investiu nisso. “Havia um plano, isso não é segredo”, ele declarou à televisão. O plano em questão teria sido estabelecido pelo estado-maior russo, juntamente com Putin, no final de 2006 e início de 2007, e incluía o treinamento de “milicianos” da Ossétia do Sul.
A Geórgia havia desencadeado uma ofensiva na noite de 7 de agosto de 2008 para retomar a Ossétia do Sul. A Rússia então retaliou, dando início a uma ampla operação militar. No entanto, observadores criticaram Moscou por ter elevado as tensões previamente na região. A guerra de cinco dias terminou com uma derrota de Tbilisi e o reconhecimento por Moscou, no dia 26 de agosto de 2008, da independência da Ossétia do Sul e da Abecásia, outro território separatista georgiano.
Quando ocorreu o conflito, Vladimir Putin ocupava a função de primeiro-ministro. E, embora Dmitri Medvedev, na época presidente, tenha sempre afirmado ser o único no comando, Putin veio contradizê-lo esta semana ao afirmar ter ligado duas vezes para ele antes de entrarem em guerra.
Uma revelação ainda mais constrangedora chega em um momento em que Medvedev está sendo criticado na Rússia, após a divulgação na internet de um filme no qual ex-generais acusam o atual primeiro-ministro de não ter decidido rápido o suficiente entrar em guerra, o que supostamente teria gerado um número maior de baixas.
O documentário, intitulado “O Dia Perdido”, e cujos autores permanecem desconhecidos, mostra entrevistas de ex-generais, entre eles o ex-chefe do estado-maior das forças armadas russas, Yuri Baluyevsky. “Todos estavam com medo”, ele garante, “até que tomaram um pontapé” de Putin.
Diante dessa polêmica, o primeiro-ministro, cada vez mais atacado pelos partidários de Putin, defendeu suas posições. “Isso foi feito em tempo, rápido o suficiente, conseguimos evitar perdas maiores”, declarou Medvedev na Ossétia do Sul.
“Histeria”
Desde o conflito, a Rússia vem mantendo forças nos dois territórios separatistas. E essas revelações só vão reavivar as tensões entre as duas partes, que se acusam mutuamente há quatro anos de serem responsáveis pela guerra. “Tal admissão nunca havia sido feita antes”, ressaltou o chefe do Conselho Nacional de Segurança da Geórgia, Giga Bokeria.
“É notável que essas declarações (...) tenham provocado tamanha histeria em Tbilisi. Tal reação vem confirmar de maneira eloquente que lá eles não se resignaram diante do fracasso de sua aventura criminosa de agosto e continuam a buscar vingança”, reagiu o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Tradutor: Lana Lim

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