terça-feira, 8 de maio de 2012

FALÊNCIA DA DITADURA CUBANA CAUSA A DECADÊNCIA DO ESPORTE NA ILHA

Bloqueio dos EUA e deserções levam Cuba à decadência esportiva.
Esperança é o boxe
Menon - UOL
A nova versão das "Espetaculares Morenas do Caribe" está perto de um fiasco incrível. Derrotadas por 3 a 1 pela República Dominicana na final do Pré-Olímpico da América Central e do Caribe, resta ao vôlei feminino cubano apenas uma chance para chegar à Londres-2012. Uma dura chance, pois o Pré Olímpico Mundial garante três vagas, mas terá times europeus fortes. Está perto a elimininação de quem chegou em quarto lugar em Pequim-2008, após ganhar o ouro em Barcelona-92, Atlanta-96, Sydney-2000, ser bronze em Atenas-2004 e ficar em quarto em Pequim.
Não é apenas o vôlei que está em decadência na maior ilha do Caribe. O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos e a deserção de muitos atletas em busca do dinheiro farto que jorra no esporte profissional são as principais causas. O vôlei, por exemplo, teve o desfalque de Kenia Carcacés, sua principal atacante, um mês antes do Pré Olímpico. A justificativa foi indisciplina. Mas muita gente acredita que foi detectada a vontade de deserção, o que ocasionou o corte. O mesmo acontecheu no ano passado com o time masculino, quando Robertlandy Simón, o capitão, foi afastado por indisciplina. Outro dia, entrevistando Escadinha, o líbero brasileiro, soube que Simón está na Itália. Mesmo país que recebeu há alguns anos a Idelmis Gato e mais cinco jogadores. Toda uma seleção cubana. Também na Itália está Aguero, campeã olímpica.
Como manter em Cuba jogadoras que podem ganhar muito dinheiro fora do país? Nanci Carrillo e Rosir Calderón, excelentes jogadoras que estiveram em Pequim, jogam fora do país; Carrillo no Brasil e Calderón na Turquia.
Quem fica participa de uma liga ridícula, com apenas quatro times: a seleção principal, a seguna e terceira opçoes e a seleção junior. Recebem nomes como Capitalinas, Centrales, Ocidentales e Orientales e jogam por todo o ano. A mesma denominação seve para times de basquete. Não há intercâmbio, não há jogos constantes contra outras equipes. Na última Copa América, o basquete feminino de Cuba, que há 20 anos rivalizava com o do Brasil, ficou em quarto lugar, atrás de Canadá e Argentina, algo antes impensável.
Nas vésperas de campeonatos, busca-se uma base de preparação. Antes do Pré-Olímpico de vôlei, as cubanas treinaram contra as peruanas, em Lima. O time masculino enfrentou a Argentina, em Buenos Aires.
A crise é tão grande em Cuba que a Ciudad Desportiva, como é chamado o centro de esportes de Havana foi vetado para as duas últimas Ligas Mundiais de Vôlei, por falta de ar condicionado. Em 2011, Cuba fez todos os seus jogos na casa dos adversários. Em 2012, mandará suas partidas em Santo Domingo, na República Dominicana. Mesmo com todas as dificuldades - deserção e jogos fora de casa - o time tem bons resultados e há boas possibilidades de classificação.
Hanser Garcia, ex-jogador de polo aquático, é a grande novidade na natação cubana. Disputa os 100m e 50m livre e, apesar da pouca técnica, foi prata e bronze, respectivamente no Pan de Guadalajara. Como há problemas de manutenção com a principal piscina cubana, ele treina fora do país. Preparou-se na América do Sul e depois na Sérvia. De volta à Ilha, participou do "Marcelo Salado" principal competição de Cuba. Buscava melhorar seu tempo de 48s34. Na primeira prova, fez 49s90. Sentiu falta de concorrentes que o ajudassem a puxar o tempo, pois não havia outros atletas de nível na prova. Nem cubano e muito menos de outros países. Na segunda tentativa, no dia seguinte, foi pior. Nadou...sozinho. Fez 48s85. Havia a possibilidade de nadar no Brasil, mas não se concretizou.
A falta de intercâmbio faz com que o judô cubano classifique no máximo 11 atletas para Londres. Oito estão garantidos. A equipe viaja pouco, participa de poucos torneios e os atletas despencam no ranking. A falta de viagens causa uma distorção. Atletas de alto nível ficam em posiçao ruim. E chegam ao chaveamento com a obrigação de enfrentar atletas duros logo nos primeiros combates. É ruim para os outros, que precisam enfrentar uma cubana ruim de pontos mas boa de judô. Um exemplo é o que ocorre nos 48 quilos. Dayaris Mestre classificou-se para Londres em 13 lugar. São 14 vagas. A brasileira Sarah Menezes é a segunda no ranking. Nas duas últimas lutas entre ambas, Mestre venceu.
Com tantos problemas, são poucas as possibilidades de medalha de ouro para Cuba. Dayron Robles, que ganhou os 110m c/barreira em Pequim, desta vez terá a companhia do chinês Liu, que esteve ausente em seu país, por contusão. Mijain Lopez, da luta greco-romana ganhou em Pequim, mas foi prata no última Mundial, depois e haver vencido os quatro anteriores. Já não é medalha segura. Yarelis Barrios, lançadora de disco, foi prata em Pequim e não está bem. Foi apenas quarta no Meeting de Natal, no final de semana. Há renovação no salto com vara, mas Yarislei Silva, de 22 anos, pode sonhar no máximo com o bronze. Em Guadalajara, ela derrotou Fabiana Murer.
Para superar sua participação na última Olimpíada, Cuba precisa recorrer ao boxe, um dos esportes que mais sofre com a deserção. Em 2007, em um torneio na Venezuela do amigo Hugo Chavez, fugiram Yan Barthelemi, Yoriorkis Gamboa e Odlaniel Solis, campeões olímpicos. Meses depois, foi a vez de Guillermo Rigondeauz, campeão olímpico, e Erislandy Lara, campeão mundial. Com uma equipe renovada às pressas, Cuba chegou à Pequim. Classificou oito atletas para as semifinais. E, pela primeira vez, ficou sem ouro. Foram quatro pratas e quatro bronzes.
Yordenis Ugas, medalha de bronze, logo saiu. E Carlos Banteur, medalha de prata em Pequim e louro no Pan de Guadalajara, foi afastado. Motivo? Indisciplina. Arnoids Despaigne, seu substituto, está no Pré Olimpico do Brasil. Ele, Emilio Correa, prata em Pequim, e Roniel Iglesias, bronze em Pequim, buscam as últimas vagas para Londres. Se conseguirem, Cuba terá equipe completa. E há chances de vitória, principalmente com Julio Cesar La Cruz e Lazaro Alvares, campeões mundiais em Baku-2011. Yasniel Toledo, prata em Baku também tem chances. Iglesias, que ainda não tem vaga, é forte candidato. Ele foi campeão mundial em Milao-2009. Em Baku, perdeu para o brasileiro Ewerton Lopes na primeira lutal. Lopes foi campeão mundial. Em Guadalajara, Iglesias deu o troco.
Em 2016, a situação vai piorar. A Aiba, que organiza o boxe amador, prometeu que haverá boxe profissional em 2016. Ninguém sabe como Cuba reagirá a isso? Desistirá de partipar, ao ter de abdicar da proteção na cabeça? Fidel sempre disse que o boxe profissional é um absurdo, por causa mal aos atletas. Pode ser, mas hoje em dia é difícil acreditar que algum lutador cubano faça como Teofilo Stevensou que recusou 10 milhões de dólares para enfrentar Muhammad Ali. "Prefiro ser adorado por 10 milhões de cubanos ", disse. Velhos tempos.

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