
Nem sempre vale a pena adquirir o seguro antes de viajar
Você gostaria de acrescentar um seguro de viagem a sua compra?Essa perguntinha chata surge sempre que eu reservo um voo, confirmo a reserva de um quarto de hotel ou reservo um carro para locação. Ela se tornou o "Você quer batatas fritas para acompanhar?" das reservas de viagens online. A diferença: às vezes eu aceito as batatas fritas. Eu nunca comprei um seguro de viagem na minha vida porque o instinto sempre me disse que é um mau negócio. Eu raramente pago adiantado por diárias de hotel, por passeios ou pela locação de carros.
Eu não enfio roupas de grife nas malas que despacho na hora do check-in. Eu sou saudável na medida do possível e tenho um plano de saúde que me cobre no exterior (ou, pelo menos, diz que cobre).
Mas o instinto é uma maneira torta de tomar decisões sobre seguro. Por isso, como estou prestes a embarcar em uma viagem de três semanas para a Ásia, eu finalmente decidi descobrir se deveria ou não fazer um seguro-viagem e definir, em geral, quando é inteligente ter um desses e quando ele é desnecessário.
Os turistas tendem a adquirir um seguro quando sentem que estão correndo um risco maior do que o normal ou quando apresentam uma probabilidade maior do que a da média dos detentores de apólices de usar seu seguro. Em economia isso se chama "seleção adversa" –adversa apenas para as companhias de seguros. Para os consumidores, é apenas uma medida inteligente.
Imagine duas pessoas que estejam avaliando a compra de uma apólice de seguro no valor de US$ 100 para uma viagem de duas semanas: uma tem 65 anos e vai para a Índia, onde pretende alugar uma scooter, comer comida de rua e dormir todas as noites em hotéis cinco estrelas previamente reservados. A outra tem 30 anos, vai para Londres, pretende ficar no apartamento de um amigo e comprar ingressos com desconto para ir o teatro todas as noites. Está muito claro quem deve adquirir o seguro.
Para adquirir a minha própria cobertura, eu pesquisei pacotes oferecidos pela World Nomads (worldnomads.com), empresa popular e bem-cotada que fornece planos de seguro-viagem online. (Se você quiser adquirir um seguro, experimente contatá-los – ou veja outras opções em insuremytrip.com, site de busca de seguros para viagens.)
Geralmente, o seguro-viagem é vendido em pacotes que combinam várias categorias de cobertura. Verifique todas elas e determine o que você precisa e o que você não precisa – suas necessidades podem ter relação com o fato de você não estar correndo nenhum risco ou com o fato de você já ter uma cobertura. Se parecer que determinado pacote não vale a pena, políticas mais personalizadas (que você poderá encontrar usando o site insuremytrip.com, entre outros) oferecem algumas opções à la carte. Mas você pode acabar não economizando muito.
A cobertura para a minha viagem à Ásia, adquirida na World Nomads, me custaria US$ 85 pelo plano padrão, e US$ 116,40 para uma cobertura da categoria "explorador", que é um pouco mais elaborada. Eu analisei todos os itens dos planos oferecidos – que são semelhantes aos da maioria dos pacotes disponíveis – para calcular se, no geral, eles podem valer a pena para mim (e para você). Abaixo estão as minhas conclusões.
SEGURO MÉDICO
Se o seu plano de saúde regular não oferecer cobertura para viagens ao exterior, você precisará de um seguro enquanto estiver viajando. Participantes do Medicare (sistema de seguro de saúde gerido pelo governo dos Estados Unidos e destinado às pessoas com 65 anos ou mais) e os cidadãos de países cobertos por serviços nacionais de saúde geralmente se enquadram nesta categoria. Os outros devem verificar as especificidades de suas políticas. Eu tenho cobertura por meio da Freelancers Insurance Co., que utiliza o programa Blue Cross Blue Shield. Minha política diz que eu estou "coberto para receber cuidados de profissionais de saúde licenciados, independentemente de onde" eu estiver por meio da rede Blue Card Worldwide.
Entrei no site da Blue Card Worldwide e fiquei aliviado ao encontrar vários hospitais filiados listados nas cidades asiáticas que eu pretendo visitar.
Mas eu ainda restou uma pontinha de desconfiança em minha mente. Por isso, liguei para o atendimento ao cliente e fiz uma pergunta hipotética: e se, no caso de uma emergência, eu acabar em um hospital que não faz parte da rede – ou porque eu não consegui me comunicar com os paramédicos ou porque não havia nenhum hospital filiado por perto?
A atendente ficou perplexa, me colocou em espera e retornou. "Eu verifiquei com meu supervisor", disse ela. "A solicitação seria enviada, nós recusaríamos o atendimento e você teria que entrar com um recurso", disse ela. Recursos, ela acrescentou, são analisados "caso a caso". Em outras palavras: boa sorte. Por outro lado, muitas apólices de seguro de viagem reembolsam despesas médicas, independentemente do hospital para onde você for levado.
A Freelancers não quis se pronunciar oficialmente para oferecer esclarecimentos adicionais sobre a questão. Mas como eu não pretendo me envolver em nenhuma atividade de alto risco e tenho uma chance de obter a cobertura caso o muito improvável pior dos cenários venha a ocorrer, eu decidi que adquirir uma cobertura médica extra me traria um benefício mínimo. Em todo caso, eu me armei com uma impressão de todas as instalações médicas filiadas nas áreas que vou visitar.
EVACUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
Esta é simples: se eu não tiver cobertura e tiver que ser evacuado do exterior e trazido de volta para casa com o auxílio de uma assistência médica, terei que desembolsar mais ou menos US$ 30 mil. Então, tudo se resume à probabilidade desse cenário acontecer. Estou indo para uma região especialmente isolada?
Vou escalar montanhas ou atravessar rios? Em caso positivo, ter cobertura para uma evacuação médica de emergência – como parte de um pacote ou separadamente (o mais barato que encontrei para a minha viagem no insuremytrip.com ficou em US$ 40) – é uma boa ideia.
PROTEÇÃO DE VIAGEM
Este tipo de seguro oferece reembolso (às vezes parcial) para reservas pré-pagas se a sua viagem for cancelada, interrompida ou adiada. Eu raramente gasto muito dinheiro com minhas viagens antes de partir – com exceção da passagem de avião (sempre de classe econômica) e, talvez, da primeira noite em um hotel (sempre barato). Mas para as pessoas que costumam comprar passagens de avião mais caras e que fazem reservas pré-pagas para longos períodos fora essa proteção pode fazer sentido.
Também vale notar: alguns cartões de crédito fornecem coberturas semelhantes. Meu cartão United Mileage Plus Explorer do Chase oferece. E, embora provavelmente seja mais difícil receber um reembolso no Chase do que na World Nomads, eu não vejo muita razão para ter uma cobertura duplicada.
PROTEÇÃO DE BAGAGEM
A World Nomads oferece reembolso por itens perdidos ou danificados em trânsito e cobre despesas geradas por atrasos na chagada da bagagem ao destino. Para mim, adquirir essa proteção representaria ter uma cobertura triplicada: meu cartão de crédito oferece cobertura para isso e as companhias aéreas também são legalmente obrigadas reembolsar os passageiros pelo extravio de bagagens – embora com restrições.
Mas a política da Nomads também cobre danos e perdas ocorridos após o voo. Eu sempre carrego US$ 3 mil em equipamentos eletrônicos para todos os lugares aonde vou, e a World Nomads oferece uma cobertura de até US$ 500 por item (após a depreciação). Vale a pena determinar o valor do que está dentro de sua bagagem e fazer as contas.
É claro que o fato de você ser ou não reembolsado depende, em parte, de você. A funcionária do serviço de atendimento ao cliente da World Nomads deu o seguinte exemplo: se você deixar seu celular em seu traje de banho e entrar na água, o aparelho não estará coberto. Isso não é apenas o tipo de coisa que eu costumo fazer: isso é exatamente o que fiz há alguns anos na véspera de Ano Novo no Rio de Janeiro.
MORTE ACIDENTAL E DESMEMBRAMENTO
Eu nunca entendi essa. Se você precisa de um seguro de vida, você não iria querer que a cobertura servisse para o ano todo, e não apenas para quando você estivesse viajando? E se você perdesse um membro, será que US$ 2 mil ou US$ 3 mil – valor que a World Nomads oferece – realmente ajudariam? (Observe que as empresas de seguro de vida perguntam sobre seus hábitos de viagem. Por isso, certifique-se de falar a verdade quando for solicitar o seu seguro – e se você já tem cobertura, certifique-se de que ela abrange os países para onde você está indo.)
ENTÃO, SERÁ QUE VALE A PENA?
Mesmo que alguns itens do pacote da World Nomads pudessem me beneficiar, eu decidi que o pacote como um todo não faz sentido para a minha viagem. (Eu acabei comprando um plano de evacuação médica de um ano, no valor de US$ 225, que encontrei usando o insuremytrip.com.)
Embora meu instinto inicial de evitar pacotes de seguro tenha se mostrado (coincidentemente) correto, de qualquer maneira o processo foi valioso: eu agora sei muito mais o sobre a minha cobertura médica e as regalias oferecidas pelo meu cartão de crédito. Todos deveriam fazer cálculos como esses.
É claro que há mais uma variável: se você é uma pessoa que se preocupa muito e o fato de ter cobertura para todas as circunstâncias imagináveis lhe deixará mais relaxado para desfrutar sua viagem, então, vá em frente e contrate um seguro. Mas eu não vou me juntar a você.
Tradutor: Cláudia Gonçalves
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