sábado, 2 de fevereiro de 2013

Ministério da Cultura francês se constrange com a expulsão de família 'pobre' do Museu d'Orsay
Catherine Rollot - Le Monde
O incidente ocorreu no sábado (26). Acompanhados de um voluntário da instituição de caridade ATD-Quart Monde, os pais e o filho deles, de 12 anos de idade, se encontravam em uma sala dedicada a Van Gogh, quando agentes de segurança lhes pediram para sair. Outros visitantes teriam se queixado. Acompanhados até a saída, eles tiveram o dinheiro de seus ingressos devolvido.
Uma possível queixa por "discriminação social"
Na quarta-feira, o movimento ATD-Quart Monde, que trabalha junto aos mais desprovidos, levantou a ideia de prestar queixa por "discriminação social". Ele deverá comunicar sua decisão na noite de sexta-feira, após uma reunião do conselho administrativo.
O Museu d’Orsay, por sua vez, refutou na quarta-feira "energicamente as acusações simplistas e as confusões" feitas contra ele. Já a ministra da Cultura, Aurélie Filippetti, considerou "lamentável" o incidente, mas rejeitou a ideia de uma "falha moral" dos funcionários. "Acho que eles fizeram o trabalho deles no sentido de que preservaram a possibilidade também para essas pessoas de visitar o museu em condições mais dignas do que aquelas em que se encontravam naquele momento", ela disse.
Por trás dessas palavras haveria uma realidade mais cruel. Fontes próximas da ministra da Cultura, baseando-se no relatório do Museu d’Orsay, afirmam que o filho do casal teria defecado nas calças. O odor teria vindo de suas roupas sujas, que ele teria continuado a usar durante a visita por várias horas. Os agentes, "para preservar a dignidade" do menino, teriam então intervindo. A criança não foi despida pelos funcionários do Museu d’Orsay, mas "o odor" e a presença de uma "mancha" na roupa teria acusado a fonte do mau cheiro.
Uma família em situação de grande precariedade
A ATD-Quart Monde nega completamente essa versão. Segundo Typhaine Cornacchiari, sua diretora de comunicação, o voluntário acompanhante não notou nenhum odor em particular. Esse executivo de banco, que não pôde ser localizado pelo "Le Monde", conhecia a família, pois ele a acompanhava nos ateliês de arte mantidos pela associação de caridade no 20o distrito de Paris.
Essa família francesa, em situação de grande precariedade, vive em um imóvel insalubre. Levando em conta a situação da família, o voluntário da ATD-Quart Monde deu preferência a visitar o museu em poucas pessoas, em vez de um grupo, como o movimento costuma organizar. Portanto, foi como visitantes comuns que a família e o voluntário entraram no museu. Eles não pediram pela gratuidade concedida a pessoas desfavorecidas nem pela visita monitorada oferecida pelo estabelecimento para o público em situação precária. Foi depois de uma passagem pelo restaurante do museu que eles iniciaram sua visita às coleções. Para o ministério, portanto, os agentes não tinham nenhum conhecimento da situação social do pequeno grupo e teriam agido dessa maneira com qualquer visitante no mesmo estado.
"Estamos convencidos de que as coisas não teriam acontecido dessa maneira com uma família comum", alega a ATD-Quart Monde. A associação acredita que esse incidente "mostra o que os mais pobres sofrem no dia a dia, essa discriminação que faz com que você não seja tratado da mesma maneira quando carrega na cara sua pobreza extrema". "A discriminação por origem social" não existe no código penal. Logo, a ATD-Quart Monde tem poucas chances de ver algum resultado para sua queixa. Entretanto, ela poderia usar um outro motivo, como o "atentado às liberdades". 
Tradutor: Lana Lim

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