domingo, 24 de fevereiro de 2013

PIO 12 E OS NEGROS QUE CHEGARIAM A ROMA
Elio Gaspari - FSP
Fala-se muito na remota possibilidade de um papa africano ao mesmo tempo em que se acusa a Igreja Católica de não mudar. Vai aí um exagero, tanto em relação aos avanços ocorridos como em relação ao atraso em que andou o papado.
Em janeiro de 1944, quando as tropas aliadas estavam a caminho de Roma, o secretário de Estado, cardeal Luigi Maglione, chamou ao Vaticano o embaixador inglês para transmitir-lhe um pedido de Pio 12. Segundo o telegrama que o diplomata mandou para Londres, Sua Santidade "esperava que não houvesse negros na pequena guarnição que permaneceria em Roma durante a ocupação".
A propaganda fascista apresentava os soldados americanos como macacos que saqueavam museus. O papa estaria mais preocupado com casos de estupros praticados por negros, não necessariamente americanos. Tropas de todas as cores e nações estupraram mulheres na Europa, inclusive a FEB. Dois pracinhas violentaram uma menina de 15 anos e um deles matou-lhe o tio. Foram condenados a morte, voltaram para o Brasil e acabaram indultados.
Quem viu "Duas Mulheres", de Vittorio De Sica, pode se lembrar que Sophia Loren e sua filha foram violentadas por soldados marroquinos, africanos e negros.
Não há documento capaz de informar se o pedido de Pio 12 tramitou no comando aliado. Os negros americanos entraram em Roma, inclusive uma jornalista.

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