A cidade de Schwäbisch Gmünd lançou um projeto incomum. Enquanto a estação de trem do local estava sendo reformada, nove candidatos a asilo foram contratados para auxiliar os passageiros com suas bagagens. Eles ganhavam 1,05 euro por hora, o máximo permitido pelas leis de asilo da Alemanha.
Mas a operadora de ferrovias alemã Deutsche Bahn acabou suspendendo o projeto três dias depois, dizendo que não poderia apoiar esse tipo de acordo de trabalho.
"Só agora a Deutsche Bahn tomou consciência das reais condições de trabalho", disse a empresa em comunicado. Segundo a companhia, os candidatos a asilo seriam substituídos por funcionários temporários, que passariam a ajudar os passageiros a carregar suas malas entre as plataformas da estação.
Quando os passageiros reclamaram sobre a falta de acessibilidade da estação de Schwäbisch Gmünd, o prefeito Arnold colocou um anúncio solicitando ajudantes em um complexo habitacional local destinado a candidatos a asilo. Nove dos 250 moradores locais se candidataram às vagas e começaram a trabalhar. Mas, quando as condições de trabalho foram divulgadas ao público, vários meios de comunicação manifestaram críticas ao projeto, levando a Deutsche Bahn a entrar em cena.
Bernd Sattler, da Asyl, uma iniciativa popular voltada aos refugiados em Schwäbisch Gmünd, ecoou essa decepção. O trabalho na Deutsche Bahn oferecia aos refugiados uma fuga do tédio insular da vida em um complexo habitacional compartilhado, disse ele, além de uma rara oportunidade de interagir com a comunidade local. "Precisamos encontrar soluções pragmáticas para integrar os candidatos a asilo. Projetos como auxiliar com as bagagens na estação de trem possibilitam a eles o contato social", disse Sattler.
Ele também ressaltou que os refugiados de Schwäbisch Gmünd já atuam em várias instituições que cuidam de deficientes e idosos. Por meio desses programas, disse Sattler, "os candidatos a asilo se sentem muito valorizados e tidos como iguais".
No entanto, Sattler é rápido em concordar que o salário máximo de 1,05 euro por hora é totalmente insuficiente. Mas, para que o pagamento fosse reajustado, as leis de asilo da Alemanha teriam que ser revistas. Atualmente, os candidatos a asilo recebem 346 euros por mês e têm autorização para ganhar, no máximo, 100 euros brutos (ou seja, antes de descontados os impostos).
Neste momento, o tema é especialmente oportuno, pois o país está testemunhando um aumento no número de pessoas que procuram asilo. Cerca de 100 mil candidatos a asilo são esperados em 2013 na Alemanha, de acordo com o Departamento Federal de Imigração e Refugiados --o que representa um aumento de 50% em relação ao ano anterior.
Tradutor: Cláudia Gonçalves
Mas a operadora de ferrovias alemã Deutsche Bahn acabou suspendendo o projeto três dias depois, dizendo que não poderia apoiar esse tipo de acordo de trabalho.
"Só agora a Deutsche Bahn tomou consciência das reais condições de trabalho", disse a empresa em comunicado. Segundo a companhia, os candidatos a asilo seriam substituídos por funcionários temporários, que passariam a ajudar os passageiros a carregar suas malas entre as plataformas da estação.
Quando os passageiros reclamaram sobre a falta de acessibilidade da estação de Schwäbisch Gmünd, o prefeito Arnold colocou um anúncio solicitando ajudantes em um complexo habitacional local destinado a candidatos a asilo. Nove dos 250 moradores locais se candidataram às vagas e começaram a trabalhar. Mas, quando as condições de trabalho foram divulgadas ao público, vários meios de comunicação manifestaram críticas ao projeto, levando a Deutsche Bahn a entrar em cena.
"Muito abatidos"
O prefeito da cidade, Richard Arnold, disse a repórteres que estava "decepcionado e surpreso" com a decisão. Segundo Arnold, os próprios candidatos a asilo estão "muito abatidos" com o fato de o projeto ter sido encerrado.Bernd Sattler, da Asyl, uma iniciativa popular voltada aos refugiados em Schwäbisch Gmünd, ecoou essa decepção. O trabalho na Deutsche Bahn oferecia aos refugiados uma fuga do tédio insular da vida em um complexo habitacional compartilhado, disse ele, além de uma rara oportunidade de interagir com a comunidade local. "Precisamos encontrar soluções pragmáticas para integrar os candidatos a asilo. Projetos como auxiliar com as bagagens na estação de trem possibilitam a eles o contato social", disse Sattler.
Ele também ressaltou que os refugiados de Schwäbisch Gmünd já atuam em várias instituições que cuidam de deficientes e idosos. Por meio desses programas, disse Sattler, "os candidatos a asilo se sentem muito valorizados e tidos como iguais".
No entanto, Sattler é rápido em concordar que o salário máximo de 1,05 euro por hora é totalmente insuficiente. Mas, para que o pagamento fosse reajustado, as leis de asilo da Alemanha teriam que ser revistas. Atualmente, os candidatos a asilo recebem 346 euros por mês e têm autorização para ganhar, no máximo, 100 euros brutos (ou seja, antes de descontados os impostos).
Aumento significativo
No ano passado, o Tribunal Constitucional da Alemanha ordenou que o governo aumentasse os benefícios concedidos aos candidatos a asilo, que estavam estacionados no valor mensal de 224 euros desde 1993. Mas o valor máximo concedido a quem recebe esse tipo de benefício ainda é inferior ao mínimo necessário para garantir a subsistência --ou seja, ao valor pago aos beneficiários da previdência social alemã--, e as críticas de que as condições dos candidatos a asilo na Alemanha são inadequadas só fazem aumentar.Neste momento, o tema é especialmente oportuno, pois o país está testemunhando um aumento no número de pessoas que procuram asilo. Cerca de 100 mil candidatos a asilo são esperados em 2013 na Alemanha, de acordo com o Departamento Federal de Imigração e Refugiados --o que representa um aumento de 50% em relação ao ano anterior.
Tradutor: Cláudia Gonçalves
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