Corine Lesnes - Le Monde


Barack Obama não deve se arrepender de ter cancelado o safári que ia fazer na Tanzânia, na terça-feira (2), última etapa de sua turnê pelo continente africano. O espetáculo do presidente americano bancando o turista com sua família e sua sogra não teria tido o melhor dos efeitos neste momento em que as críticas vêm se acumulando contra a forma como está administrando o caso Edward Snowden, o ex-funcionário da NSA, cujas últimas revelações geraram uma crise nas relações transatlânticas, sem precedentes desde a intervenção no Iraque.
Enquanto vários dirigentes políticos se impacientam e se perguntam por que Barack Obama ainda não conseguiu conter o vazamento de revelações, Ed Snowden saiu do silêncio que vinha observando desde que saiu de Hong Kong há oito dias para atacar diretamente o presidente. Em uma declaração publicada no site do WikiLeaks, a primeira desde sua partida, ele o acusa de usar "a cidadania como uma arma" e de tentar privá-lo de um direito humano "fundamental": o de pedir asilo.
Desde o início do caso, a gestão Obama minimizou a importância do ex-agente da CIA ao mesmo tempo em que se agitava nos bastidores para tentar impedi-lo de escapar do processo. Em Dacar, Barack Obama fez pouco da situação, afirmando que ele não ia "lançar a aeronáutica contra um pirata de 29 anos", e tampouco pretendia "barganhar ou maquinar" com a Rússia ou a China.
A mesma atitude teve Susan Rice, a novíssima conselheira para Segurança Nacional. Os Estados Unidos continuam sendo "o país mais poderoso, mais influente e mais importante do mundo: a maior economia, a maior potência militar", ela afirmou em uma entrevista publicada no dia 1º de julho pela agência Associated Press. "Com uma rede de alianças e de valores que são universalmente respeitados."
Correa, na verdade, achou o telefonema bem amável após as declarações de democratas do Congresso pedindo que adiassem as negociações comerciais para punir os equatorianos. "Depois de ter prometido não fazê-lo, o presidente ordenou a seu vice-presidente que pressionasse os dirigentes das nações junto às quais pedi proteção para me privar de um pedido de asilo", acusa Snowden.
Assim como no momento do desacordo diplomático sobre o Iraque, os americanos se encontram agora na irritante posição de serem incapazes de obter aquilo que querem. Os russos deverão "pagar um preço diplomático, econômico e geopolítico. Eles estão sempre nos provocando", repreende o senador democrata Charles Schumer, pedindo também sanções contra o Equador.
Segundo o WikiLeaks, Snowden pediu asilo a 21 países, além da Islândia e do Equador: Áustria, Suíça, França, Itália, Brasil, Bolívia, China, Cuba, Finlândia, Índia, Holanda, Espanha, Venezuela... O senhor da situação continua sendo Vladimir Putin. Este reafirmou na segunda-feira que a Rússia não entregaria o "whistleblower" aos Estados Unidos. A Rússia "nunca entrega ninguém", ele declarou, "e nem tem intenção de fazê-lo".
Em sua declaração publicada pelo WikiLeaks, o jovem analista de sistemas ressaltou que seu passaporte havia sido revogado, o que faz dele um "apátrida", ainda que ele não tenha sido indiciado. A administração Obama "não tem medo de gente como nós", disse Edward Snowden, citando outros "whistleblowers". "Estamos sem Estado, presos ou sem influência. A administração tem medo que um público furioso e informado exija o governo constitucional que lhe foi prometido."
Tradutor: UOL
Enquanto vários dirigentes políticos se impacientam e se perguntam por que Barack Obama ainda não conseguiu conter o vazamento de revelações, Ed Snowden saiu do silêncio que vinha observando desde que saiu de Hong Kong há oito dias para atacar diretamente o presidente. Em uma declaração publicada no site do WikiLeaks, a primeira desde sua partida, ele o acusa de usar "a cidadania como uma arma" e de tentar privá-lo de um direito humano "fundamental": o de pedir asilo.
Desde o início do caso, a gestão Obama minimizou a importância do ex-agente da CIA ao mesmo tempo em que se agitava nos bastidores para tentar impedi-lo de escapar do processo. Em Dacar, Barack Obama fez pouco da situação, afirmando que ele não ia "lançar a aeronáutica contra um pirata de 29 anos", e tampouco pretendia "barganhar ou maquinar" com a Rússia ou a China.
A mesma atitude teve Susan Rice, a novíssima conselheira para Segurança Nacional. Os Estados Unidos continuam sendo "o país mais poderoso, mais influente e mais importante do mundo: a maior economia, a maior potência militar", ela afirmou em uma entrevista publicada no dia 1º de julho pela agência Associated Press. "Com uma rede de alianças e de valores que são universalmente respeitados."
A Rússia "nunca entrega ninguém", disse Putin
Barack Obama se recusou a, ele mesmo, telefonar para Vladimir Putin pedindo pela deportação de Edward Snowden ---algo criticado pelo "Wall Street Journal"--, mas não escondeu que havia iniciado negociações com Moscou. E ele não achou inconveniente que o vice-presidente, Joe Biden, ligasse para o presidente equatoriano, Rafael Correa, pedindo-lhe que não acolhesse o fugitivo.Correa, na verdade, achou o telefonema bem amável após as declarações de democratas do Congresso pedindo que adiassem as negociações comerciais para punir os equatorianos. "Depois de ter prometido não fazê-lo, o presidente ordenou a seu vice-presidente que pressionasse os dirigentes das nações junto às quais pedi proteção para me privar de um pedido de asilo", acusa Snowden.
Assim como no momento do desacordo diplomático sobre o Iraque, os americanos se encontram agora na irritante posição de serem incapazes de obter aquilo que querem. Os russos deverão "pagar um preço diplomático, econômico e geopolítico. Eles estão sempre nos provocando", repreende o senador democrata Charles Schumer, pedindo também sanções contra o Equador.
Segundo o WikiLeaks, Snowden pediu asilo a 21 países, além da Islândia e do Equador: Áustria, Suíça, França, Itália, Brasil, Bolívia, China, Cuba, Finlândia, Índia, Holanda, Espanha, Venezuela... O senhor da situação continua sendo Vladimir Putin. Este reafirmou na segunda-feira que a Rússia não entregaria o "whistleblower" aos Estados Unidos. A Rússia "nunca entrega ninguém", ele declarou, "e nem tem intenção de fazê-lo".
"Estamos sem Estado, presos ou sem influência"
Mas se ele quiser obter asilo na Rússia, Edward Snowden precisa "cessar suas atividades que visam infligir danos aos nossos parceiros americanos", disse Putin. "Não importa quão estranho isso possa soar vindo de mim". Na manhã de terça-feira, Snowden, que Putin havia comparado ao dissidente soviético Andrei Sakharov, desistiu de pedir asilo a Moscou "ao descobrir a posição de Putin sobre as condições necessárias para permanecer na Rússia", segundo o Kremlin.Em sua declaração publicada pelo WikiLeaks, o jovem analista de sistemas ressaltou que seu passaporte havia sido revogado, o que faz dele um "apátrida", ainda que ele não tenha sido indiciado. A administração Obama "não tem medo de gente como nós", disse Edward Snowden, citando outros "whistleblowers". "Estamos sem Estado, presos ou sem influência. A administração tem medo que um público furioso e informado exija o governo constitucional que lhe foi prometido."
Tradutor: UOL
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