sábado, 16 de março de 2013

Lupi: amor finalmente correspondido por Dilma
Pedetista, que foi demitido de ministério pela presidente, a quem disse amar, emplaca aliado
O Globo
BRASÍLIA — A declaração de amor do pedetista Carlos Lupi, feita publicamente à presidente Dilma Rousseff, em novembro de 2011, finalmente balançou o coração da petista. A nomeação de Manoel Dias para o Ministério do Trabalho, no lugar de seu desafeto Brizola Neto, é uma vitória e tanto para o presidente do partido, que já tem integrantes do partido flertando com o governador Eduardo Campos, provável candidato do PSB à Presidência em 2014.
Entre outubro e novembro de 2011, em meio às denúncias de desvios e irregularidades de todo tipo nos convênios de ONGs com o Ministério do Trabalho, então sob seu comando, Lupi fez de tudo para se segurar no cargo — foi da arrogância à humildade, mas não escapou da demissão. Primeiro, disse, em audiência numa comissão da Câmara, que só sairia “abatido a bala”.
Dilma, claro, não gostou e mandou dizer que quem mandava era ela. No dia seguinte, 11 de novembro, Lupi, também de público, se desculpava:
— Presidente, desculpe se eu fui agressivo, não foi a minha intenção, eu te amo!
Comissão de Ética sugeriu exoneração
A essa altura, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República já analisava as denúncias envolvendo a pasta sob a responsabilidade Lupi. No dia 30 de novembro, a relatora do caso na Comissão, Marília Muricy, sugeriu uma advertência e a exoneração de Lupi, o que foi aprovado por unanimidade pelo colegiado. Por essas e outras, Marília Muricy não teve seu mandato renovado na comissão pela presidente.
Dilma, no entanto, não gostou e não aceitou de imediato a sugestão. Mas a presidente, que nunca escondeu seu carinho por Lupi, acabou capitulando e a demissão foi concretizada num domingo, 3 de dezembro, depois de uma conversa a sós entre os dois no Palácio da Alvorada.
Lupi, o sétimo ministro a cair na chamada “faxina ética” do primeiro ano do mandato de Dilma, voltou a frequentar o Planalto no início deste ano, para tratar justamente da volta de seu grupo político ao Ministério do Trabalho. Ontem, ele não apareceu no anúncio do novo ministro.



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