Claire Rainfroy - Le Monde
Em 2011, Jean-François Chossy, na época deputado da UMP para o departamento de Loire, foi incumbido pelo primeiro-ministro François Fillon de redigir um relatório sobre a deficiência. O ex-parlamentar pedia por um quadro jurídico que permitisse a assistência sexual aos portadores de deficiência.
Le Monde: O parecer do Comitê de Ética, desfavorável à profissão de assistente sexual para pessoas com deficiência, foi surpreendente?
Jean-François Chossy: Pode-se dizer que sim, pois a ideia não é difundir a assistência sexual junto a todos os deficientes, mas sim de ajudar aqueles que não conseguem controlar seus corpos. A relação sexual é um ato comum e banal na vida das pessoas. Não se pode excluir determinados indivíduos que não têm acesso a seu próprio corpo e que, assim como homens e mulheres válidos, sentem emoção, paixão e necessidades que precisam ser expressadas.
Le Monde: Certas associações, como a Mouvement du Nid e a Femmes pour agir, femmes pour le dire, comparam o acompanhamento sexual à prostituição.
Chossy: Não se deve fazer essa confusão. Na Suíça, onde a assistência sexual é legal, os deficientes não recorrem a prostitutas. Os acompanhantes sexuais são pessoas treinadas, que adquiriram conhecimento de diferentes doenças e deficiências. Eles possuem uma abordagem particular do corpo. Não se trata de um ato bestial, mas sim de uma relação sexual que ajuda as pessoas com deficiência e lhes permite que se sintam bem.
Le Monde: Em 2011, a ministra da Solidariedade e da Coesão Social, Roselyne Bachelot, não o apoiou. Até agora, o Partido Socialista não pareceu disposto a se apoderar da questão. Como o senhor explica essas reticências políticas?
Chossy: É uma questão delicada, tanto para a esquerda quanto para a direita! Ninguém parece disposto a se debruçar sobre a questão, nem mesmo a conduzir esse debate. Mas o Comitê Consultivo Nacional de Ética deve prosseguir com sua reflexão e sair dessa lógica tipicamente francesa que confunde acompanhamento sexual com prostituição. Trata-se de uma necessidade natural que todos têm. É preciso se livrar dos tabus e dessa ideia de perversão que cerca as relações sexuais entre pessoas válidas e pessoas deficientes.
Le Monde: No entanto, a assistência sexual às pessoas portadoras de deficiência já é praticada, sem quadro jurídico.
Chossy: A França está sendo totalmente hipócrita. Vários estabelecimentos que recebem pessoas portadoras de deficiência recorrem a essas práticas. Eles têm a intervenção daqueles que são chamados pudicamente de "padrinhos" e "madrinhas", mas que na prática são acompanhantes sexuais. Essas práticas acontecem, não se pode culpar essas pessoas. Elas só ajudam os deficientes e suas famílias. As autoridades, ao se recusarem a legalizar uma situação já existente, estão fazendo vista grossa.
Tradutor: Lana Lim
Le Monde: O parecer do Comitê de Ética, desfavorável à profissão de assistente sexual para pessoas com deficiência, foi surpreendente?
Jean-François Chossy: Pode-se dizer que sim, pois a ideia não é difundir a assistência sexual junto a todos os deficientes, mas sim de ajudar aqueles que não conseguem controlar seus corpos. A relação sexual é um ato comum e banal na vida das pessoas. Não se pode excluir determinados indivíduos que não têm acesso a seu próprio corpo e que, assim como homens e mulheres válidos, sentem emoção, paixão e necessidades que precisam ser expressadas.
Le Monde: Certas associações, como a Mouvement du Nid e a Femmes pour agir, femmes pour le dire, comparam o acompanhamento sexual à prostituição.
Chossy: Não se deve fazer essa confusão. Na Suíça, onde a assistência sexual é legal, os deficientes não recorrem a prostitutas. Os acompanhantes sexuais são pessoas treinadas, que adquiriram conhecimento de diferentes doenças e deficiências. Eles possuem uma abordagem particular do corpo. Não se trata de um ato bestial, mas sim de uma relação sexual que ajuda as pessoas com deficiência e lhes permite que se sintam bem.
Le Monde: Em 2011, a ministra da Solidariedade e da Coesão Social, Roselyne Bachelot, não o apoiou. Até agora, o Partido Socialista não pareceu disposto a se apoderar da questão. Como o senhor explica essas reticências políticas?
Chossy: É uma questão delicada, tanto para a esquerda quanto para a direita! Ninguém parece disposto a se debruçar sobre a questão, nem mesmo a conduzir esse debate. Mas o Comitê Consultivo Nacional de Ética deve prosseguir com sua reflexão e sair dessa lógica tipicamente francesa que confunde acompanhamento sexual com prostituição. Trata-se de uma necessidade natural que todos têm. É preciso se livrar dos tabus e dessa ideia de perversão que cerca as relações sexuais entre pessoas válidas e pessoas deficientes.
Le Monde: No entanto, a assistência sexual às pessoas portadoras de deficiência já é praticada, sem quadro jurídico.
Chossy: A França está sendo totalmente hipócrita. Vários estabelecimentos que recebem pessoas portadoras de deficiência recorrem a essas práticas. Eles têm a intervenção daqueles que são chamados pudicamente de "padrinhos" e "madrinhas", mas que na prática são acompanhantes sexuais. Essas práticas acontecem, não se pode culpar essas pessoas. Elas só ajudam os deficientes e suas famílias. As autoridades, ao se recusarem a legalizar uma situação já existente, estão fazendo vista grossa.
Tradutor: Lana Lim
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