Ricardo Setti - VEJA
Já comentei, no blog, que o estreitamento da convivência com o ex-presidento Lula fez mal aos bons modos, à civilidade e ao espírito republicano da presidente Dilma Rousseff.
Foi o caso da célebre e infeliz declaração de que Lula e ela, no poder, não herdaram “nada”, mas “construíram” – a velha história que Lula transformou em mantra megalomaníaco e segundo a qual o Brasil não começou com Pedro Álvares Cabral (1500), o descobridor, nem com o primeiro governador-geral, Tomé de Souza (1549-1533), nem sequer com o Imperador Pedro II (1831-1889), ou com Getúlio Vargas (1930-1945/1951-1954), ou mesmo com Juscelino Kubitschek (1956-1961) – começou com ele, o “deus” do lulalato.
A presidente Dilma vinha tratando com elegância e reconhecimento o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), a quem convidou mais de uma vez para eventos no Planalto e no Alvorada, chamou de “querido presidente” e cujos méritos na estabilidade econômica e trajetória democrática do país reconheceu quando FHC completou 80 anos.
Deu um passo atrás no trato republicano com sua declaração eleitoreira de dias atrás. Vai ver que levou um aperto de seu mentor – “neztepaiz” de co-Presidência, nada é impossível.
Mas o mau exemplo de Lula se espraia, e atinge agora a geralmente sóbria, objetiva área econômica. O sempre sereno ministro da Fazenda, Guido Mantega, sereno e previsível a ponto de tornar-se levemente aborrecido, foi contaminado.
Hoje, como vocês podem ver na home page do site de VEJA, concedeu longa entrevista sobre a economia, seus tropeços em 2012 e seu suposto brilhante futuro. Dias atrás, porém, ao expor a investidores um gigantesco plano de 235 bilhões de dólares em concessões a serem supostamente feitas na área de infraestrutura nos próximos anos, o sereno Mantega pisou na bola feio.
Primeiro, o ministro incursionou por uma área que os governos adoram – anunciar bombasticamente coisas que não aconteceram e que não se sabe se vão ocorrer, mas exibem números espantosos. Referiu-se à construção de 7,5 mil quilômetros de novas rodovias, 10 mil quilômetros de ferrovias (juro por Deus!), falou do nosso velho conhecido, o trem-bala, mencionou concessões gigantescas na área energética (eletricidade e gás natural), citou dois grandes aeroportos internacionais etc etc.
Em seguida, descreveu a estrutura de financiamento para investidores estrangeiros, que incluem, é claro, o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa, apelou para que os colossais fundos de pensão americanos se interessem pelo filão brasileiro, apresentou o total que se pretende investir – quase inacreditáveis 235 bilhões de dólares e abanou no ar uma rentabilidade de encher os olhos da plateia: 10% ao ano, em moeda forte.
No capítulo das garantias, e vendo que investidores na plateia o apertavam sobre recentes intervenções do governo na área de energia – houve quem mencionasse “quebra de contrato” — , aí chegou a hora da bobagem monumental: lembrou que o Brasil, diferentemente do que ocorria no passado, é um país que propicia não apenas rentabilidade, mas “segurança”, com regras claras e contratos que têm sido respeitados “pelo menos desde 2003”.
Repito: pelo menos desde 2003!!! Ou seja, desde o início do lulalato!!!
Quer dizer, os acertos fundamentais do governo Itamar em 1994, começando pelo próprio Plano Real, e tudo o que veio depois nos dois governos de FHC não focam considerados!
Quer dizer que não existiu a atitude do governo FHC que — sob críticas ferozes dos que hoje ocupam o poder – de praticamente santifica, como pedra de toque da recuperação da credibilidade do país, o cumprimento dos contratos???
Mantega jogou levianamente pela janela todo um elenco de acertos da era FHC adotados em direção do que chamou de “regras claras e contratos respeitados”: a autonomia do Banco Central, que agiu sem as interferências políticas que hoje se esboçam, as privatizações devidamente precedidas de reformas na Constituição devidamente aprovadas pelo Congresso, a renegociação da dívida dos Estados – em que se retiraram colossais esqueletos do armário –, a renegociação impecável da dívida externa, que permitiu ao lulalato praticamente quitá-la, depois, a privatização de bancos estaduais irresponsáveis, o escrupuloso cumprimento de todos os contratos e… a Lei de Responsabilidade Fiscal, marco jurídico fundamental para o respeito aos pactos jurídicos.
Não se reconhece, no Mantega demagogo que adota o estalinismo lulopetista de querer reescrever o passado – mesmo o passado recente –, aquele economista técnico e objetivo que, ainda como assessor do candidato Lula, viajou à Europa em 2002 para ver como funcionavam bancos centrais independentes, como o alemão e o britânico, visando à eventual adoção do mesmo status para o BC brasileiro.
Fala-se, em bastidores do PT, que entre os candidatos a governador de São Paulo cogitados por Lula para tentar arrebatar o Palácio dos Bandeirantes dos tucanos, estaria Mantega – no caso de a economia voltar a crescer com intensidade.
Pode ser, então, que essa ainda distante mosca azul tenha picado o ministro e transmitido, a ele, o mal da megalomania do lulalato.
Foi o caso da célebre e infeliz declaração de que Lula e ela, no poder, não herdaram “nada”, mas “construíram” – a velha história que Lula transformou em mantra megalomaníaco e segundo a qual o Brasil não começou com Pedro Álvares Cabral (1500), o descobridor, nem com o primeiro governador-geral, Tomé de Souza (1549-1533), nem sequer com o Imperador Pedro II (1831-1889), ou com Getúlio Vargas (1930-1945/1951-1954), ou mesmo com Juscelino Kubitschek (1956-1961) – começou com ele, o “deus” do lulalato.
A presidente Dilma vinha tratando com elegância e reconhecimento o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), a quem convidou mais de uma vez para eventos no Planalto e no Alvorada, chamou de “querido presidente” e cujos méritos na estabilidade econômica e trajetória democrática do país reconheceu quando FHC completou 80 anos.
Deu um passo atrás no trato republicano com sua declaração eleitoreira de dias atrás. Vai ver que levou um aperto de seu mentor – “neztepaiz” de co-Presidência, nada é impossível.
Mas o mau exemplo de Lula se espraia, e atinge agora a geralmente sóbria, objetiva área econômica. O sempre sereno ministro da Fazenda, Guido Mantega, sereno e previsível a ponto de tornar-se levemente aborrecido, foi contaminado.
Hoje, como vocês podem ver na home page do site de VEJA, concedeu longa entrevista sobre a economia, seus tropeços em 2012 e seu suposto brilhante futuro. Dias atrás, porém, ao expor a investidores um gigantesco plano de 235 bilhões de dólares em concessões a serem supostamente feitas na área de infraestrutura nos próximos anos, o sereno Mantega pisou na bola feio.
Primeiro, o ministro incursionou por uma área que os governos adoram – anunciar bombasticamente coisas que não aconteceram e que não se sabe se vão ocorrer, mas exibem números espantosos. Referiu-se à construção de 7,5 mil quilômetros de novas rodovias, 10 mil quilômetros de ferrovias (juro por Deus!), falou do nosso velho conhecido, o trem-bala, mencionou concessões gigantescas na área energética (eletricidade e gás natural), citou dois grandes aeroportos internacionais etc etc.
Em seguida, descreveu a estrutura de financiamento para investidores estrangeiros, que incluem, é claro, o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa, apelou para que os colossais fundos de pensão americanos se interessem pelo filão brasileiro, apresentou o total que se pretende investir – quase inacreditáveis 235 bilhões de dólares e abanou no ar uma rentabilidade de encher os olhos da plateia: 10% ao ano, em moeda forte.
No capítulo das garantias, e vendo que investidores na plateia o apertavam sobre recentes intervenções do governo na área de energia – houve quem mencionasse “quebra de contrato” — , aí chegou a hora da bobagem monumental: lembrou que o Brasil, diferentemente do que ocorria no passado, é um país que propicia não apenas rentabilidade, mas “segurança”, com regras claras e contratos que têm sido respeitados “pelo menos desde 2003”.
Repito: pelo menos desde 2003!!! Ou seja, desde o início do lulalato!!!
Quer dizer, os acertos fundamentais do governo Itamar em 1994, começando pelo próprio Plano Real, e tudo o que veio depois nos dois governos de FHC não focam considerados!
Quer dizer que não existiu a atitude do governo FHC que — sob críticas ferozes dos que hoje ocupam o poder – de praticamente santifica, como pedra de toque da recuperação da credibilidade do país, o cumprimento dos contratos???
Mantega jogou levianamente pela janela todo um elenco de acertos da era FHC adotados em direção do que chamou de “regras claras e contratos respeitados”: a autonomia do Banco Central, que agiu sem as interferências políticas que hoje se esboçam, as privatizações devidamente precedidas de reformas na Constituição devidamente aprovadas pelo Congresso, a renegociação da dívida dos Estados – em que se retiraram colossais esqueletos do armário –, a renegociação impecável da dívida externa, que permitiu ao lulalato praticamente quitá-la, depois, a privatização de bancos estaduais irresponsáveis, o escrupuloso cumprimento de todos os contratos e… a Lei de Responsabilidade Fiscal, marco jurídico fundamental para o respeito aos pactos jurídicos.
Não se reconhece, no Mantega demagogo que adota o estalinismo lulopetista de querer reescrever o passado – mesmo o passado recente –, aquele economista técnico e objetivo que, ainda como assessor do candidato Lula, viajou à Europa em 2002 para ver como funcionavam bancos centrais independentes, como o alemão e o britânico, visando à eventual adoção do mesmo status para o BC brasileiro.
Fala-se, em bastidores do PT, que entre os candidatos a governador de São Paulo cogitados por Lula para tentar arrebatar o Palácio dos Bandeirantes dos tucanos, estaria Mantega – no caso de a economia voltar a crescer com intensidade.
Pode ser, então, que essa ainda distante mosca azul tenha picado o ministro e transmitido, a ele, o mal da megalomania do lulalato.

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