terça-feira, 12 de março de 2013

Três vaticanistas e nove apostas para a sucessão na Santa Sé
O italiano Angelo Scola e o brasileiro Odilo Scherer entram nas listas de todos os especialistas ouvidos
Deborah Berlinck/Fernando Eichenberg - O Globo
A estátua de São Pedro na Praça São Pedro, no Vaticano
Foto: MAX ROSSI / REUTERS
A estátua de São Pedro na Praça São Pedro, no Vaticano - MAX ROSSI / REUTERS
VATICANO - Desde a renúncia de Bento XVI, supostas disputas de poder entre alas mais e menos reformistas da Cúria tornam difícil identificar o próximo Papa. Os enviados especiais a Roma, Deborah Berlinck e Fernando Eichenberg, ouviram especialistas. E conseguiram afunilar a lista.
1. As apostas de John Allen
O jornalista e vaticanista americano é autor de sete livros sobre a Igreja Católica
Angelo Scola
“O cardeal de 71 anos é provavelmente o mais próximo da ‘pole position’. Scola respira o mesmo ar intelectual de Bento XVI. Saiu da escola teológica Communio, cofundada pelo jovem Joseph Ratzinger, no período após o Concílio Vaticano II (1962-1965). Como jovem teólogo, publicou um livro de entrevistas com Henri de Lubac e Hans Urs von Balthasar.”
Christoph Schönborn
“É o que há de mais parecido com uma escolha ousada. Sua vontade de quebrar tradições e defender uma reforma pode realmente torná-lo mais atraente.”
Odilo Scherer
“Veterano da Congregação dos Bispos com vasta experiência também de comandar uma arquidiocese complexa no maior país católico do mundo. Sua imagem nunca foi manchada pela associação com os progressistas da Teologia da Libertação, mas também não fez parte dos que tiveram reação maior ao movimento.”
Leonardo Sandri
“Aos 69 anos, não é muito idoso, nem muito novo. Nasceu na Argentina, mas viveu a maior parte do tempo na Itália, o que faz a ligação entre o Primeiro e o Terceiro Mundo num momento em que o catolicismo está querendo fazer a ponte entre os dois. Tem reputação de ser bom administrador.”
2. As apostas de Salvatore Izzo
O especialista em Santa Sé da Agência Itália (AGI) é um dos vaticanistas que acreditam que a “limpeza” da Igreja deverá estar no topo das prioridades do próximo Papa.
Odilo Scherer e João Braz de Aviz
“O novo Papa pode ser brasileiro. O Brasil é o país com o maior número de católicos, e a Igreja precisa dar mais atenção à América Latina. João Braz é muito jovial, pacífico, sereno e lembra João XXIII, embora sejam pessoas diferentes. Já Scherer é o favorito por suas posições ideológicas. É conservador. Ele ajudou na escolha do novo presidente da Instituição de Obras para Religião (IOR, o Banco do Vaticano). Conhece bem a dinâmica de governo da Cúria Romana.”
Angelo Scola e Angelo Bagnasco
“O italiano Scola tem peso. Bento XVI o transferiu de Florença para a diocese de Milão, uma das maiores do mundo, atrás da de São Paulo. Bagnasco, cardeal de Gênova, é presidente da Conferência dos Bispos Italiana e, portanto, representa todos os bispos daquele país. Tem muita autoridade na Itália e conhece muita gente fora dela, pois financia muitos projetos da Igreja no mundo.”
Marc Ouellet
“O canadense tem muitas chances. Esteve na Cúria, voltou para o Canadá como bispo, e retornou à Cúria como prefeito da Congregação dos Bispos. Mas Ouellet vem de um movimento, a escola teológica Communio, cofundada pelo jovem Joseph Ratzinger, que é a mesma de Scola. Esse fator pode ser limitante. E é uma personalidade um pouco menos extrovertida, semelhante ao cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI).”
Christoph Schönborn
“É o teólogo preferido de Ratzinger, muito diferente do caráter de Ratzinger, mas muito estimado e muito corajoso, porque foi ele quem processou o cardeal pedófilo da Áustria, Hans Hermann Gröer (que se demitiu em 1995). Foi uma batalha na qual ele só teve o apoio de Ratzinger. Trata-se de um homem de cultura muito vasta. É dominicano.”
Sean O’Malley
“O cardeal de Boston é um capuchinho, tem uma vida muito austera, daqueles que andam de sandálias até no frio. É um verdadeiro homem de São Francisco. Precisamos de alguém com uma espiritualidade franciscana, porque se viu a corrupção e o carreirismo que imperam na Igreja.”
3. As apostas de Olivier Bobineau
Autor do livro “L’empire des papes — une sociologie du pouvoir dans l’Église” (“O império dos Papas — uma sociologia do poder na Igreja”), ele diz não vislumbrar candidatos que despontem como francos favoritos, mas analisa alguns dos principais nomes citados para sucederem ao agora Papa Emérito Bento XVI.
Angelo Scola
“É um pragmático. Se eleito, será por sua capacidade de administrar. É um conservador clássico dentro da estrutura da Igreja. Um conservador tranquilo, diria.”
Marc Ouellet
“Seria melhor um Angelo Scola do que Ouellet, porque este último é um ultraconservador. Rígido, considerado mais ‘romano’ do que os cardeais que estão em Roma, no âmbito da Cúria. Conheço pessoas que trabalharam com ele, e que dizem que estariam dispostas a deixar a Igreja Católica caso seja eleito Papa. Ele também é presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina.”
Odilo Scherer
“Ele não tem uma reputação de progressista. Penso que deu várias provas de que é um conservador. É um cardeal romano-centrista (na linha de governo da atual Cúria).”
Peter Erdö
“É um cardeal húngaro que não tem responsabilidades internacionais e, por isso, não é muito conhecido. Mas também é um sacerdote conservador.”

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