sábado, 2 de março de 2013

Publicidade na rede supera a de jornais na Espanha pela primeira vez
Rosario G. Gómez - El Pais
A crise publicitária impacta em cheio os meios de comunicação espanhóis. No ano passado o faturamento caiu 15,8% em média (passou de 5,497 bilhões de euros para 4,630 bilhões), mas afetou com especial virulência os jornais, onde o declínio foi de 20,8%. Pela primeira vez o volume de publicidade que os jornais absorvem (766 milhões de euros) se viu superado na Espanha pela Internet (880 milhões), embora a web tenha deixado de ser um setor em constante crescimento, como ocorreu nos últimos anos. Em 2012 a linha começou a se curvar. O investimento na Internet já não aumenta, e sim diminui 2,1%, segundo um estudo da consultoria Info Adex, apresentado na quinta-feira.
Entre os jornais, os mais penalizados são os gratuitos, que viram desaparecer quase a metade da publicidade, seguidos dos econômicos e dos grandes títulos de cobertura nacional. A Eurocopa de futebol deu um respiro aos esportivos. Para os suplementos dominicais também foi um ano negro, pois perderam quase um quarto do investimento. Comparativamente, a rádio contornou melhor a crise que os demais meios.
Pedro Villa, responsável pelo estudo, destacou que desde 2007 a imprensa perdeu 10 pontos na cota de mercado do setor publicitário. Mas na Espanha e no âmbito latino em geral a Internet ainda está longe de ultrapassar a televisão, como ocorre no mundo anglo-saxão. O professor de documentação e publicidade da Universidade Complutense Juan Carlos Marcos afirma que, apesar do declínio registrado, a Internet "começa a ameaçar a televisão". Ele chama a atenção para "o apogeu que está adquirindo, especialmente através dos clientes patrocinados", e defende a necessidade de que a imprensa encontre a fórmula que lhe permita desenvolver um modelo de negócios no ambiente digital. Sua receita passa por melhorar a qualidade da informação e aceitar formatos publicitários "mais arriscados e de maior impacto".
À diferença do que ocorre na Espanha, no Reino Unido o mercado online leva a maior parte da torta da publicidade. Na Espanha, a televisão continua sendo a rainha. E isso apesar do declínio vertiginoso do último ano. Em seu conjunto, arrebanhou 1,815 bilhão de euros, que representam quase 19% a menos que no exercício anterior. A distribuição é muito desigual, já que os dois gigantes audiovisuais (Mediaset e Antena 3, que efetivou a fusão com La Sexta no último trimestre do ano) conquistam 85% de todo o faturamento.
No setor televisivo, a verdadeira queda é experimentada pelas autonômicas. Perderam um terço de seu faturamento, e esse é um dos motivos que levaram alguns governos regionais a suprimir canais e a implementar expedientes de regulamentação de emprego, que no caso do Canal 9 e da Telemadrid afetam dois terços da folha de pagamentos.
Em seu conjunto, o mercado publicitário se situou em 2012 em 10,858 bilhões de euros, o que representa um decréscimo de 9,9% em relação aos 12,053 bilhões do exercício anterior. Os chamados meios não convencionais (mala-direta, folhetos, marketing, exposições, jogos promocionais, brindes publicitários) representaram 6,228 bilhões, 5% a menos.
Por anunciantes, os que mais investiram foram Procter & Gamble, El Corte Inglés, L'Oréal, Telefónica, Vodafone e Volkswagen.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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