O Globo
A economia brasileira como um todo está reagindo lentamente, como revelam dados recentes sobre a produção da indústria — queda de 2,5% em fevereiro — e o movimento do setor de serviços. Mesmo no mercado de trabalho, que permanece registrando índices de desemprego baixos, já se verifica alguma acomodação. Em fevereiro, segundo o IBGE, houve queda nos salários dos entrantes no mercado das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo órgão.
Especificamente no caso da produção industrial, os dados de fevereiro caíram meio como uma ducha fria, pois, depois de um janeiro em que os índices aparentemente voltaram a decolar, a maioria das atividades fabris apresentou considerável redução de ritmo.
A venda de veículos leves sem dúvida influenciou esses resultados, já que os consumidores haviam antecipado as compras na expectativa de alta de preços com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) retornando às suas alíquotas originais. Mas o governo resolveu redefinir o calendário do fim da desoneração, e, até o fim do ano, os veículos novos poderão ser oferecidos com uma alíquota de IPI um pouco mais baixa, o que deve contribuir para regularização das vendas ao longo do ano.

Segundo o Banco Central, no ano passado também já não houve uma valorização excessiva dos imóveis, o que possivelmente tornará os próximos lançamentos imobiliários mais atrativos para os potenciais compradores.
Junto com a boa safra de grãos e a melhora na colheita de cana-de-açúcar, números recentes mais animadores da economia brasileira vieram, curiosamente, de parte do setor industrial. Há uma razoável recuperação na produção de bens de capital, e não apenas de caminhões, pois se estende à maioria das máquinas e equipamentos (61,9% dos produtos pesquisados pelo IBGE). Essa reação talvez já seja uma confirmação que investimentos estão sendo mesmo retomados, como indicaram os números do Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre do ano passado.
A retomada dos investimentos é tudo que a economia brasileira hoje precisa para assegurar um crescimento mais significativo sem que a inflação fuja ao controle. No momento, a economia passa por um período incômodo porque conjuga, simultaneamente, crescimento sofrível com taxas de inflação que têm oscilado bem próximas do teto considerado suportável pelo governo.
O Banco Central tem preferido acompanhar a reação da economia antes de tomar qualquer iniciativa mais forte para derrubar a inflação. Com o segundo trimestre já em curso, a trajetória da economia este ano não demorará a ficar delineada, e a hora da definição não poderá mais ser postergada pelas autoridades monetárias, o que é fundamental para que o empresariado se sinta estimulado a investir.
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