Entramos no cenário da premiada série de TV britânica que o GNT exibe a partir desta quinta
NEWBURY - Nem a mais criativa política de subsídios governamentais fez pelo imponente castelo de Highclere o que conseguiu a série britânica “Downton Abbey”, que conquistou milhões de fãs pelo mundo, faturou vários prêmios, teve sua primeira temporada exibida no Brasil pelo canal Globosat HD (atual +Globosat) no ano passado e está de volta à TV brasileira a partir desta quinta, às 22h30m, quando o GNT começa a exibir seus episódios desde a estreia. No fim da semana passada, no primeiro dia em que o castelo-cenário do seriado abriu as portas ao público neste ano, a bilheteria vazia não era sinal de desinteresse. Pelo contrário. Quem estava ali já tinha ingressos reservados com grande antecedência. Estavam esgotadas as entradas para a curta temporada de visitas deste ano.
Veículos de passeio e ônibus, ignorando a Páscoa mais fria de que se tem notícia na Inglaterra, lotaram o estacionamento improvisado ao redor da propriedade, que fica a 100 quilômetros de Londres. Os visitantes queriam saber tudo sobre a história de Highclere e dos reais donos do lugar (a família Carnarvon, estabelecida ali desde 1679), mas não mediam esforços para arrancar dos guias, distribuídos entre os cômodos abertos para o público em dois dos quatro andares do edifício, detalhes sobre as filmagens.
O último episódio da terceira temporada, exibido no fim do ano passado no Reino Unido, atraiu 8,2 milhões de espectadores, um novo recorde para o seriado que se tornou um dos mais vistos de todos os tempos no país. A expectativa agora é pela quarta temporada, prometida para o segundo semestre, que a produção ainda gravava semana passada em Highclere.
Premiada com o Emmy (2011 e 2012) e o Globo de Ouro (2012 e 2013), entre outros, “Downton Abbey” conta a transição de uma família aristocrática (os Crawleys) do século XIX para o século XX, enquanto se adapta aos novos tempos, tentando preservar uma rotina em que não se sabia o que eram fins de semana, já que todos os dias eram iguais para os abastados.
Não se trata apenas do drama da família que perde o único herdeiro a bordo do Titanic e vê seus bens ameaçados, mas de como repercutem na cozinha as venturas e desventuras dos patrões entre a criadagem. Tanto no andar de cima quanto no de baixo, a rede de intrigas anima o enredo criado por Julian Fellowes, o mesmo roteirista de “Assassinato em Gosford Park” (2001).
Até quem trabalha ali hesita quando perguntado sobre o número exato de cômodos no castelo (onde, aliás, é proibido fotografar). Uns falam em mais de cem. A funcionária mais antiga, porém, não hesita: são 300. Boa parte deles atualmente fechada. Seja pela necessidade de reformas, seja pela dificuldade de manter funcionando nos dias de hoje um casarão como este.
Ainda que não haja mais mordomos nem criados de libré, os novos tempos não dispensam os 160 empregados necessários para cuidar da propriedade de mil hectares.
— O edifício, que já vinha precisando de reformas importantes, está aberto para visita há alguns anos. Mas “Downton Abbey” o salvou — admite o jovem guia recém-contratado, enquanto conta histórias deste que é um dos últimos castelos do Reino Unido ocupado pela mesma família há várias gerações.
A história do castelo de Highclere tem muito em comum com a de Downton, que precisou se reinventar para se manter após a guerra. As gravações do seriado não são a única fonte de receitas de Highclere. Hoje, a família Carnarvon não só recebe turistas no castelo como também permite a realização de casamentos e outros grandes eventos ali.
A condessa Carnarvon aproveitou o sucesso da televisão e lançou um livro,“Lady Almina and the real Downton Abbey” (à venda na loja do castelo), com a trajetória da família. Segundo ela, há várias coincidências, como o período em que o castelo abrigou um hospital de guerra para receber os soldados britânicos feridos.
Os funcionários revelam que nem todas as cenas de “Downton Abbey” são filmadas ali. Durante meses, a equipe de produção se divide entre Highclere, os trabalhos no estúdio e uma locação perto de Londres. Jamais se hospeda no castelo, apesar da profusão de quartos.
Nem os proprietários ficam muito tempo. Somente em grandes eventos ou festas em família, segundo outra guia. Desde a morte, em 1987, do oitavo Conde na linhagem dos Carnarvon, o último a viver a vida inteira em Highclere, a família tem preferido ficar numa casa mais moderna nos arredores do castelo.
Pano de fundo das grandes discussões familiares ou das negociações para a gestão da imensa propriedade nos novos tempos, a biblioteca é uma das principais atrações. É ali que Lord Grantham (Hugh Bonneville) passa boa parte do seu tempo tentando administrar a vida pacata do castelo, mesmo durante o período da guerra, quando circulava fardado pela trama sem jamais ter seguido para o combate. Foi mantida intacta ao longo dos anos com os seus quase seis mil livros, que ganharam uma proteção para evitar que se desmanchem com a manipulação.
— Há volumes que não são tocados há muitas décadas — conta um dos guias.
De “Downton Abbey” reconhecem-se ainda o imenso hall gótico de entrada, os quartos de Cora Crawley (Elizabeth McGovern) e de duas de suas três filhas, Lady Sybill (Jessica Brown Findlay) e Lady Edith (Laura Carmichael), além do quarto ocupado pelo turco Kemal Pamuk antes de morrer e apimentar ainda mais a história. O salão de jantar, cenário de boa parte dos eventos sociais da família, é palco, provavelmente, das melhores tiradas da série. É ali que a estrela Maggie Smith (que vive Violet Crawley, a condessa viúva de Grantham) sai com suas frases sempre mordazes e politicamente incorretas, mostrando exatamente a medida que distancia os novos dos velhos tempos. Foi ali que perguntou o que eram fins de semana. Ou, ao ser introduzida à prima distante, mãe do herdeiro de Downton, que quis saber como deveriam se tratar, disse, para diversão da legião de fãs que vive coletando suas frases:
— Podemos começar com Mrs. Crawley e Lady Grantham.
Construído em 1842 pelo arquiteto Sir Charles Barry, o mesmo que ergueu o Palácio de Westminster, o castelo de Highclere, em estilo vitoriano, está sobre a mesma área da primeira mansão dos Carnarvon, que, por sua vez, foi construída sobre as antigas fundações do palácio medieval ocupado pelos bispos de Winchester por 800 anos.
Veículos de passeio e ônibus, ignorando a Páscoa mais fria de que se tem notícia na Inglaterra, lotaram o estacionamento improvisado ao redor da propriedade, que fica a 100 quilômetros de Londres. Os visitantes queriam saber tudo sobre a história de Highclere e dos reais donos do lugar (a família Carnarvon, estabelecida ali desde 1679), mas não mediam esforços para arrancar dos guias, distribuídos entre os cômodos abertos para o público em dois dos quatro andares do edifício, detalhes sobre as filmagens.
O último episódio da terceira temporada, exibido no fim do ano passado no Reino Unido, atraiu 8,2 milhões de espectadores, um novo recorde para o seriado que se tornou um dos mais vistos de todos os tempos no país. A expectativa agora é pela quarta temporada, prometida para o segundo semestre, que a produção ainda gravava semana passada em Highclere.
Premiada com o Emmy (2011 e 2012) e o Globo de Ouro (2012 e 2013), entre outros, “Downton Abbey” conta a transição de uma família aristocrática (os Crawleys) do século XIX para o século XX, enquanto se adapta aos novos tempos, tentando preservar uma rotina em que não se sabia o que eram fins de semana, já que todos os dias eram iguais para os abastados.
Não se trata apenas do drama da família que perde o único herdeiro a bordo do Titanic e vê seus bens ameaçados, mas de como repercutem na cozinha as venturas e desventuras dos patrões entre a criadagem. Tanto no andar de cima quanto no de baixo, a rede de intrigas anima o enredo criado por Julian Fellowes, o mesmo roteirista de “Assassinato em Gosford Park” (2001).
Até quem trabalha ali hesita quando perguntado sobre o número exato de cômodos no castelo (onde, aliás, é proibido fotografar). Uns falam em mais de cem. A funcionária mais antiga, porém, não hesita: são 300. Boa parte deles atualmente fechada. Seja pela necessidade de reformas, seja pela dificuldade de manter funcionando nos dias de hoje um casarão como este.
Ainda que não haja mais mordomos nem criados de libré, os novos tempos não dispensam os 160 empregados necessários para cuidar da propriedade de mil hectares.
— O edifício, que já vinha precisando de reformas importantes, está aberto para visita há alguns anos. Mas “Downton Abbey” o salvou — admite o jovem guia recém-contratado, enquanto conta histórias deste que é um dos últimos castelos do Reino Unido ocupado pela mesma família há várias gerações.
A história do castelo de Highclere tem muito em comum com a de Downton, que precisou se reinventar para se manter após a guerra. As gravações do seriado não são a única fonte de receitas de Highclere. Hoje, a família Carnarvon não só recebe turistas no castelo como também permite a realização de casamentos e outros grandes eventos ali.
A condessa Carnarvon aproveitou o sucesso da televisão e lançou um livro,“Lady Almina and the real Downton Abbey” (à venda na loja do castelo), com a trajetória da família. Segundo ela, há várias coincidências, como o período em que o castelo abrigou um hospital de guerra para receber os soldados britânicos feridos.
Os funcionários revelam que nem todas as cenas de “Downton Abbey” são filmadas ali. Durante meses, a equipe de produção se divide entre Highclere, os trabalhos no estúdio e uma locação perto de Londres. Jamais se hospeda no castelo, apesar da profusão de quartos.
Nem os proprietários ficam muito tempo. Somente em grandes eventos ou festas em família, segundo outra guia. Desde a morte, em 1987, do oitavo Conde na linhagem dos Carnarvon, o último a viver a vida inteira em Highclere, a família tem preferido ficar numa casa mais moderna nos arredores do castelo.
Pano de fundo das grandes discussões familiares ou das negociações para a gestão da imensa propriedade nos novos tempos, a biblioteca é uma das principais atrações. É ali que Lord Grantham (Hugh Bonneville) passa boa parte do seu tempo tentando administrar a vida pacata do castelo, mesmo durante o período da guerra, quando circulava fardado pela trama sem jamais ter seguido para o combate. Foi mantida intacta ao longo dos anos com os seus quase seis mil livros, que ganharam uma proteção para evitar que se desmanchem com a manipulação.
— Há volumes que não são tocados há muitas décadas — conta um dos guias.
De “Downton Abbey” reconhecem-se ainda o imenso hall gótico de entrada, os quartos de Cora Crawley (Elizabeth McGovern) e de duas de suas três filhas, Lady Sybill (Jessica Brown Findlay) e Lady Edith (Laura Carmichael), além do quarto ocupado pelo turco Kemal Pamuk antes de morrer e apimentar ainda mais a história. O salão de jantar, cenário de boa parte dos eventos sociais da família, é palco, provavelmente, das melhores tiradas da série. É ali que a estrela Maggie Smith (que vive Violet Crawley, a condessa viúva de Grantham) sai com suas frases sempre mordazes e politicamente incorretas, mostrando exatamente a medida que distancia os novos dos velhos tempos. Foi ali que perguntou o que eram fins de semana. Ou, ao ser introduzida à prima distante, mãe do herdeiro de Downton, que quis saber como deveriam se tratar, disse, para diversão da legião de fãs que vive coletando suas frases:
— Podemos começar com Mrs. Crawley e Lady Grantham.
Construído em 1842 pelo arquiteto Sir Charles Barry, o mesmo que ergueu o Palácio de Westminster, o castelo de Highclere, em estilo vitoriano, está sobre a mesma área da primeira mansão dos Carnarvon, que, por sua vez, foi construída sobre as antigas fundações do palácio medieval ocupado pelos bispos de Winchester por 800 anos.

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