sábado, 2 de março de 2013

Sem controle, iluminação de obras de novo aeroporto de Berlim não pode ser apagada
Tobias Schwarz/Reuters

Torre do futuro aeroporto internacional de Berlim, em Schoenefeld, na Alemanha
Torre do futuro aeroporto internacional de Berlim, em Schoenefeld, na Alemanha
Esse tem sido um inverno sombrio em Berlim – na realidade, o mais sombrio de todos os tempos, pelo menos nos 62 anos desde que os registros sobre a incidência diária de luz solar começaram, em 1951. Em média, as estações de medição da Alemanha registraram meras 96 horas de sol no período de três meses entre o início de dezembro e o final de fevereiro.
Há, no entanto, pelo menos um lugar na Alemanha onde a luminosidade é a regra, e não a exceção. No canteiro de obras infernizado por problemas –e que um dia se transformará no Aeroporto Internacional de Berlim – as luzes do terminal ficam acesas 24 horas por dia. E não é para evitar que trabalhadores sucumbam à depressão de inverno. O problema é que as dificuldades técnicas registradas no aeroporto ultramoderno – que deverá custar cerca de 4,3 bilhões de euros – fazem com que as luzes não possam ser desligadas.
"Isso tem a ver com o fato de não termos progredido o suficiente na instalação de nosso sistema de iluminação para podermos controlá-lo", disse na última quarta-feira, durante uma rara aparição pública, Horst Amann, diretor técnico do aeroporto.
É claro que esse não é o único problema técnico do aeroporto. Originalmente programado para iniciar suas operações em outubro de 2011, ele teve sua inauguração inesperadamente adiada devido a preocupações relacionadas aos equipamentos de segurança – e a abertura foi novamente adiada em maio passado. Desde então, no entanto, inúmeros problemas, deficiências na construção, erros de projeto e falhas técnicas foram encontrados. Sem mencionar a preocupação de que o edifício talvez seja pequeno demais.
"Apenas progressos moderados"
Atualmente, não há uma data de inauguração prevista, embora Amann tenha dito na quarta-feira passada que pretende fixar uma data até o final deste ano. "Eu só vou marcar uma data de quando puder assumir a responsabilidade por isso", disse ele.
Há muita coisa a ser feita antes disso. Relatórios recentes têm destacado os enormes e complicados problemas que o terminal – originalmente concebido para ser um dos aeroportos de tecnologia mais avançada do mundo – tem enfrentado durante sua construção. Atualmente, as paredes e os tetos estão sendo quebrados para a realização de uma inspeção em detalhes estruturais e nos sistemas de cabos e de ventilação. Algumas pessoas até chegaram a sugerir que o prédio inteiro teria que ser demolido e reconstruído, embora Amann tenha dito na quarta-feira que essa sugestão é "uma completa besteira".
Apenas depois de uma avaliação geral do edifício é que a construção terá andamento. Atualmente, apenas cerca de 200 a 300 operários estão trabalhando no local. "Não há uma paralisação, mas estamos apenas fazendo progressos moderados", disse Amann, de acordo com o jornal tabloide Bild Zeitung.
O mesmo pode ser dito da busca do aeroporto por um principal executivo. Em janeiro deste ano, Rainer Schwarz – que administrava o aeroporto quando ocorreram os sucessivos adiamentos na inauguração – foi finalmente demitido. Mas a busca por um sucessor tem se mostrado difícil. Na realidade, desde que Wilhelm Bender, ex-diretor do aeroporto de Frankfurt, declinou o cargo, no início de fevereiro, pouco progresso tem sido feito.
Amann espera que isso mude em breve. "Eu estou começando a me preocupar com as minhas férias de verão", brincou ele na quarta-feira. Ele mencionou que a diretoria já contratou uma empresa de headhunters para encontrar alguém que esteja em busca de um desafio – e que seja capaz de localizar o interruptor de luz.
Tradutor: Cláudia Gonçalves

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