quarta-feira, 3 de abril de 2013

Câmeras de trânsito criam polêmica nos Estados Unidos
Emmarie Huetteman - NYT
Um clarão repentino iluminou o Honda Civic de Christian Sevier enquanto ele passava pela New York Avenue daqui. Mas em poucas semanas a multa de US$ 150 por excesso de velocidade em sua caixa de correio explicou o que aconteceu.
Ele disparou um dos radares com câmera de Washington, um ferramenta cada vez mais comum que tirou uma foto do seu carro quando registrou o excesso de velocidade. Uma averiguação pela Associação Americana do Automóvel com base na Lei de Liberdade de Informação revelou que um único radar com câmera naquela via movimentada aplicou mais de US$ 11 milhões em multas em apenas dois anos.
Apesar de Sevier, 30 anos, usar seu carro apenas poucas vezes por semana, ele já recebeu mais duas multas desde a primeira infração.
"Eu quase as vejo com um imposto sobre qualquer cidadão em Washington, DC, que tem um carro", ele disse.
Os radares e câmeras de trânsito se espalharam por 582 comunidades por todo o país para pegar aqueles que correm, ultrapassam o sinal vermelho ou cometem outras infrações. À medida que cresce seu uso, os legisladores nos Estados que permitiram às prefeituras utilizá-las estão começando a se envolver.
A Associação dos Governadores para Segurança Rodoviária relata que 29 Estados não possuem leis estaduais sobre radares com câmera, apesar disso não significar que não existam radares nesses Estados. Em Iowa, por exemplo, sete cidades operam radares e outros usam câmeras em semáforos, segundo Instituto das Seguradoras para Segurança Rodoviária, uma organização de pesquisa financiada pelas associações e seguradoras de automóveis e associações.
Os críticos dos radares com câmeras frequentemente pintam um quadro de excesso por parte do poder público. Apesar dos motoristas poderem apelar das multas, alguns alegam que as câmeras violam o direito constitucional de enfrentarem seu acusador. Outros dizem que elas representam uma invasão de privacidade.
Muitos argumentam que as prefeituras –assim como as empresas que fabricam e mantêm o equipamento, algumas em troca de um percentual da receita, em vez de uma taxa fixa– estão mais interessadas no dinheiro do que na segurança, apontando para os estudos indicando que as câmeras na verdade podem causar acidentes.
O ressentimento está crescendo em Washington desde 2010, quando o prefeito na época, Adrian M. Fenty, aumentou o valor das multas como parte de seus esforços para equilibrar o orçamento. A multa por dirigir 17 a 24 km/h acima do limite de velocidade subiu de US$ 50 para US$ 125, por exemplo.
"Ele foi muito esperto em fazer uso de itens que tecnicamente não eram impostos para aumentar a receita", disse Mary M. Cheh, uma vereadora.
Em novembro, enquanto a câmara municipal realizava audiências sobre cumprimento das leis de trânsito, o prefeito Vincent C. Gray reduziu o valor das multas, dizendo que as mudanças tornariam as penas menores para aqueles com infrações menos sérias.
Os defensores dos radares e câmeras apontam para a crescente evidência sugerindo que as câmeras de trânsito coíbem a violência e diminuem o número de acidentes fatais. Um estudo recente pelo Instituto das Seguradoras para Segurança Rodoviária relata um declínio significativo por ano de veículos atravessando no sinal vermelho não apenas nos cruzamentos com câmeras, após a polícia ter começado a multar lá, mas também nos cruzamentos próximos sem câmeras.
Quando perguntado sobre os esforços para derrubar uma lei da Flórida que permite as câmeras de trânsito, Melissa Wandall, presidente da Coalizão Nacional por Estradas Mais Seguras, disse que uma recente pesquisa apontou que 56% das comunidades da Flórida que participaram informaram menos acidentes nos cruzamentos com câmeras.
Em uma noite de 2003, quando um motorista cruzou o sinal vermelho e bateu no carro que levava seu marido, o matando instantaneamente, ela foi ao local do acidente, grávida de nove meses, e jurou encontrar um significado na tragédia.
Wandall, 45 , trabalhou com seu deputado na lei da Flórida que autorizou as câmeras nos semáforos, que ganhou o nome de seu marido quando o governador a sancionou, o Programa Mark Wandall de Segurança no Trânsito, em 2010. Uma parte de cada multa é destinada a centros médicos.
"O programa está fazendo muitas coisas boas, de modo que não vejo como podem se livrar dele", ela disse.
Anne T. McCartt, uma representante do Instituto das Seguradoras para Segurança Rodoviária, disse que apesar das câmeras de trânsito serem uma questão polêmica, a oposição não é tão forte quanto alegam. Um estudo do instituto envolvendo motoristas de 14 cidades com câmeras em semáforos –incluindo Phoenix, Chicago e Raleigh, Carolina do Norte– apontou que dois terços apoiam seu uso.
"Eu acho que há uma minoria ruidosa nessas comunidades chamando muita atenção para o assunto", disse McCartt.
Em Washington, as autoridades planejam adicionar mais câmeras às 90 já em uso. Desde que começou a usar radares com câmera em 2001, Washington teve uma diminuição de 73% nas mortes no trânsito, disse Gwendolyn Crump, uma porta-voz da polícia.
E apesar da fiscalização fotográfica render muito dinheiro –US$ 21,2 milhões em fevereiro– Cheh disse que a receita não é o ponto.
"Eu sei que os cidadãos às vezes não acreditam nisso", ela disse. "Eu não quero seu dinheiro. Eu quero que vocês parem de correr."
Tradutor: George El Khouri Andolfato

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