Darwinismo político
Paulo Rosenbaum - OESP
É só impressão ou estamos indo no ritmo da contramão universal? Então
quem faz leis têm a prerrogativa e aval para desobedece-las? E quem se
submete a elas não tem foro privilegiado nem alambrado? Como discordar
do que passa a ser arbítrio? Se o legislador tem o aval para, mesmo
sendo infrator, continuar legislando, quem protegerá a sociedade das
leis autocráticas ? Ah, sei, um artigo jornalístico demanda frieza
analítica e obsequiosidade. Portanto escritor, controle já tua
indignação! Parem tudo! Esse é um dos problemas. Controlamos demais a
injuria, precisamos é liberta-la da várzea não civilizatória ditada
goela abaixo. Os heróis que nos assistem são voláteis, inconsistentes,
anti exemplos. Se há gente sofrendo nas prisões — e quem não fica
dividido quando se trata de doença – que se promova uma reforma, para
todos. Nas mãos dos novos oligarcas, a isonomia transformou-se em
darwinismo político. As poucas vozes lúcidas do partido morrem cedo ou
são exiladas.
No país que registrou o maior número de homicídios no mundo (2012) e
onde vicejam 9 milhões de jovens em casa, quem está em prisão
domiciliar?
Criticar abusos e vislumbrar o desastre fiscal que se anuncia virou
sinonimo de reacionário, palpite de pessimista ou coisa da elite. Mas
quem abandonou o ideário de uma esquerda arejada pelo pragmatismo
claustrofóbico foram os vencedores. No emaranhado de anedotas que o
poder nos prega, está essa semente da desarmonia social. Uma espécie de
transgênico político incubado nos porões do grande projeto de poder.
Fôssemos um país com acesso à educação e informação, contássemos com uma
oposição minimamente organizada, eles é quem estariam acuados, e com
índices compatíveis com a gestão temerária que executam.
E seriam chamados pelo que realmente são, camaleões, que para
confundir a sociedade, enfiam a cauda onde for necessário. Para nossa
sorte nenhuma camuflagem dura para sempre.

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