Funerárias são o novo alvo da “guerra econômica” de Maduro
General venezuelano diz que empresas “especulam em momentos difíceis”
VEJA
Até os mortos foram envolvidos na chamada “guerra econômica”
da Venezuela, como é chamada a série de ataques do governo de Nicolás
Maduro contra setores acusados de “especulação financeira”. Nesta
semana, o governo incluiu as funerárias entre os alvos das inspeções que
têm como objetivo – segundo a propaganda oficial – conter o aumento de
preços em meio à escalada da inflação no país. Grandes redes de varejo também têm sofrido constantes inspeções e algumas chegaram a ser forçadas a realizar saldões.
A estreia contra as funerárias teve como alvo uma empresa localizada
na capital Caracas. A inspeção foi conduzida pessoalmente pelo general
Herbert García Plaza, o chefe do Órgão Superior de Economia, criado em
setembro. Citando os custos do funeral do seu pai no ano passado, García
disse que as empresas “especulam com as necessidades dos entes queridos
em momentos muito difíceis”.
O general foi além e condenou até mesmo a natureza das empresas. “Eu
acho que os donos das funerárias têm que entrar em um profundo processo
de reflexão (…) sobre sua estrutura de custos e margens de lucro, porque
este serviço é sensível e não pode se converter em um negócio com fins
financeiros”, disse, avisando que o controle continuará a ser feito para
evitar que “especulações com a dor alheia não ocorram no marco de um
governo socialista”.
Ele citou o aluguel das salas das funerárias, dizendo que o preço mínimo
é de 1.619 dólares (cerca de 3.700 reais). Ainda assim, não soube
apontar qual seria um preço justo pelo serviço e, portanto, acabaram não
multando a empresa no artigo de “usura”, que pune a suposta
especulação.
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