Alemanha lidera em perspectiva de emprego para imigrantes na Europa
Renuka Rayasam - Der Spiegel
Uma pesquisa recém-divulgada mostra que imigrantes de fora da União Europeia têm mais facilidade de encontrar emprego na Alemanha do que em qualquer outro país europeu. Mas os resultados podem ser mais um reflexo da situação difícil do mercado de trabalho por todo o restante da Europa do que uma vantagem particular alemã.
A Alemanha não necessariamente compartilha a mesma reputação que seus vizinhos do sul europeu de ser calorosa e amistosa. Mas as pessoas de fora da União Europeia à procura de emprego a classificaram acima de seis outros países europeus em uma pesquisa de imigração e integração divulgada na quarta-feira (9) pelo Grupo de Políticas de Migração, em Bruxelas.
Apenas um terço dos estrangeiros entrevistados em Berlim, a capital da Alemanha, teve dificuldade para encontrar emprego, e menos da metade em Stuttgart, no Estado poderosamente econômico de Baden-Wurttemberg, no sudoeste. Isso contrasta com os 79% dos entrevistados tanto em Lisboa, em Portugal, quanto em Milão, na Itália, que disseram ter dificuldade para encontrar trabalho.
“Os imigrantes disseram ter menos dificuldade para encontrar emprego em Berlim e Stuttgart e com maior frequência consideram que seus empregos estão à altura de sua capacidade e treinamento, na comparação com outras 13 cidades europeias”, disse por e-mail o coautor do estudo, Thomas Huddleston, para a “Spiegel Online”.
Apenas 18% dos entrevistados em Berlim e 13% em Stuttgart se consideravam sobrequalificados para seus empregos, em comparação a 66% em Nápoles, 52% em Milão e 29% em Madri, na Espanha.
O Grupo de Políticas de Migração sem fins lucrativos entrevistou quase 7.500 imigrantes nascidos fora da União Europeia em 15 cidades da Europa sobre suas experiências de procura por emprego. Eles apontaram que a discriminação, o mercado negro de trabalho que leva à insegurança no emprego e barreiras de língua eram menores na Alemanha do que em outros países. Apesar do alemão ser tipicamente considerado uma língua difícil de aprender, apenas 25% dos entrevistados em Stuttgart disseram que barreiras de língua foram seu maior problema, enquanto em Nápoles esse número subia para quase metade. Em Faro, Portugal, aproximadamente 63% dos entrevistados informaram dificuldades com a língua.
Mas em Berlim, que conta com uma comunidade estrangeira cada vez maior, a barreira da língua nem mesmo constava entre os três maiores problemas listados. Os entrevistados citaram as aulas de língua e cursos de integração bancados pelo governo como ferramentas de ajuda para facilitar a integração.
Relatos divergentes
Mas o levantamento do Grupo de Políticas de Migração diverge de outros relatos que revelam que alguns imigrantes têm mais dificuldade em se adaptar à Alemanha, especialmente aqueles do sul e do leste da Europa que procuram pelo mercado de trabalho mais forte. Os resultados também podem estar ligados ao fato de a economia alemã estar passando por um boom em comparação a muitos de seus vizinhos da União Europeia.
“O fato de os imigrantes estarem encontrando maior facilidade na Alemanha do que na Espanha ou em Portugal tem muito a ver com a situação econômica geral”, disse Stephen Sievert, do Instituto para População e Desenvolvimento, em Berlim. Os jovens, aqueles com maior probabilidade de migrar, estão sendo atingidos de modo particularmente duro nos países afetados pela crise do euro, de forma que a Alemanha comparativamente próspera se torna um destino atraente. Mesmo assim, disse Sievert, as taxas de emprego para os imigrantes são mais baixas do que para os nascidos na Alemanha.
Mas desenvolvimentos demográficos significam que o país não tem escolha, a não ser continuar melhorando suas políticas de imigração, segundo o Conselho de Especialistas das Fundações Alemãs para Integração e Migração (SVR). Com o rápido envelhecimento de sua população e um fluxo de saída de trabalhadores alemães capacitados, o país precisa de imigrantes para ajudar a compensar, disse a organização. Desde meados dos anos 90, mais de meio milhão de alemães deixaram o país. A população em idade de trabalho na Alemanha também deverá encolher em cerca de 5 milhões de pessoas até 2025.
Os esforços da Alemanha para melhorar as políticas de imigração até o momento tiveram uma receptividade ambígua. Mais da metade das comunidades alemãs entrevistadas por um estudo, divulgado na terça-feira pelo comissário de migração e integração do país, disse estar trabalhando em iniciativas, como cursos de língua e aulas de aperfeiçoamento da educação, para ajudar a integrar os imigrantes no mercado de trabalho. Mas a avaliação do SVR de 2012, também divulgada na terça-feira, critica a falta de coordenação entre os esforços de integração nacionais, regionais e locais.
Em abril, o Parlamento alemão, o Bundestag, aprovou um projeto de lei para implantar a diretriz “Cartão Azul da UE”, que visa facilitar as exigências para trabalho, para que trabalhadores não qualificados de fora da UE possam ter uma estadia mais longa, mais de três anos após a UE ter aprovado o conceito. Apesar de alguns países ainda não terem implantado a diretriz, o momento é “embaraçoso”, disse Sievert, do Instituto para População e Desenvolvimento. “O governo alemão deveria ter feito isso há um ano.”
Tradutor: George El Khouri Andolfato
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