sexta-feira, 11 de maio de 2012

HOLLANDE VAI PROMOVER A ESQUERDIZAÇÃO DO ENSINO NA FRANÇA

O programa de Hollande para o próximo ano letivo na França
Maryline Baumard - Le Monde
Como dar ao novo ano letivo um leve ar de esquerda, sendo que ele foi preparado pela direita? É o primeiro problema que o futuro ministro da Educação da França deverá abordar. Mas não o único! Independentemente de ser designado ou não ao Ministério da Educação, Vincent Peillon, o assessor para educação do presidente eleito François Hollande, trabalhou nas primeiras semanas da agenda do futuro ministro --ao mesmo tempo em que preparava os dossiês aprofundados que ocuparão o verão. Para “reformular” o ensino, é o mínimo!
As avaliações dos alunos
Elas são a principal urgência. De 21 a 25 de maio, 750 mil crianças do CM2 [alunos na faixa dos 11 anos] vão fazer testes de matemática e de francês. O candidato Hollande prometeu o fim dessas controversas avaliações. “Os cadernos estão impressos. Os professores vão receber um bônus de 400 euros para cuidar disso. É tarde demais para mandar parar tudo. Que os professores apliquem os testes para saber como estão seus alunos. Em compensação, vamos suspender as elevações nacionais dos resultados”, anunciou Peillon ao “Le Monde”.
“Estamos revisando essas avaliações,” ele diz, “porque elas misturam tudo. Quiseram fazer delas um meio de conhecer o nível dos alunos e uma ferramenta de gerenciamento do sistema. Para ter ferramentas de gerenciamento, é preciso trabalhar por sondagem a partir de avaliações realizadas pela direção da avaliação cujo trabalho seja esse”. Um ajuste muito esperado pelos professores, após anos de utilização “política” dessas ferramentas inicialmente pedagógicas.
Portanto, o parágrafo que diz respeito às avaliações do ensino primário será eliminado da circular de início de ano letivo que chegou às escolas antes do primeiro turno. Esse texto, que estabelece as prioridades do ministro da Educação, será reescrito antes de ser distribuído novamente.
Ali também haviam sido anunciadas avaliações no jardim de infância e no final da 5ª série [alunos na faixa dos 12 anos]. Estas poderiam introduzir um estágio de orientação vocacional depois da 5ª série. Só que o candidato Hollande, durante sua campanha, se mostrou contrário a qualquer orientação precoce e lembrou que o sistema de ensino deverá acolher todos os alunos. A nova circular de volta às aulas deverá detalhar essas informações.
Eliminação de postos
Para minimizar um pouco os 14 mil cortes de postos previstos para o novo ano letivo, o novo ministro vai buscar na lista dos 3.000 candidatos reprovados no concurso para professores do ano. O novo presidente havia prometido recrutar mil professores em caráter de urgência para aliviar um pouco as regiões problemáticas. Está previsto para o começo de julho, após a emenda orçamentária que permitirá financiá-los, bem como os 2.000 assistentes de educação e os auxiliares de vida escolar.
Ao mesmo tempo, será lançado o pré-recrutamento. Esse mecanismo de ajuda deve permitir que se candidatem jovens que não podem pagar cinco anos de estudos, mas que sonham em se tornar professores. A medida, que só dará frutos mais tarde --mas continua sendo essencial para dar condições de recrutar 60 mil profissionais da educação-- está prevista para ser instaurada no próximo ano letivo.
A formação dos professores
Em cada caso, o ministro deverá manter um olho na urgência e outro nas mudanças básicas que a comunidade do ensino está esperando. O mesmo vale para a formação dos professores. A equipe de Peillon, que não hesitou em criticar o fim da formação inicial, tem trabalhado para instaurar um dispositivo que permita oferecer aos novos titulares centenas de horas de treinamento antes que eles assumam suas classes... Ao mesmo tempo em que abrem um diálogo com os sindicatos “sobre o treinamento inicial e continuado dos professores, a criação das Escolas Superiores do Magistério, as especificações e a posição do concurso na carreira”, lembra Peillon.
Os ritmos escolares
“Nós evidentemente também abriremos o debate sobre os ritmos escolares, retomando relatórios encomendados e não usados por Luc Chatel. Há um consenso. Cabe a nós conversar com as forças sindicais e, evidentemente, os pais”, diz um membro de sua equipe. Bruno Julliard, encarregado do ensino escolar na equipe, trabalhou a questão com uma redução de duas semanas nas férias de verão.
A escola primária
No verão também deve ser iniciada uma reflexão sobre a escola primária. “O candidato repetiu que esse nível de ensino seria prioritário. Não acreditamos que investir mais verbas nele bastará para diminuir a repetência. Mas com um professor a mais em uma escola, não se ensina mais da mesma maneira, e é esse assunto que vamos trabalhar com os parceiros da escola”, diz um aliado de Peillon.
A base comum
Da mesma forma, o apego do novo presidente à base comum de conhecimentos e de competências, que deve ser dominada por cada aluno no final do ensino obrigatório [alunos na faixa dos 16 anos] não impedirá que sejam feitos ajustes na definição dessa base. Nem de levantar a questão de quem deve hoje redigir os programas escolares. “Será preciso recriar um Conselho Nacional dos Programas e da Base? E se for, quem deve fazer parte dele?”, se pergunta Vincent Peillon. Um tema complicado de debate, certamente, mas não mais difícil do que a reflexão sobre a profissão de professor, que também estará na pauta de um verão bem carregado.
Tradutor: Lana Lim

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