quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A VENEZUELA DE HOJE É O BRASIL DE AMANHÃ? II

Apagão invade campanha na Venezuela
Falta de energia afetou 19 dos 23 Estados e põe governo em xeque às vésperas de eleições municipais, no domingo
Maduro acusa oposição de 'sabotagem'; há oito meses, país declarou emergência no setor elétrico contra crise
FSP 
Enquanto o presidente Nicolás Maduro discursava na TV, os venezuelanos foram surpreendidos anteontem com um apagão que atingiu 19 dos 23 Estados e a capital, Caracas, no segundo episódio de interrupção generalizada do serviço num espaço de três meses.
O corte ocorreu pouco depois das 20h (22h30 em Brasília) e, ato seguido, Maduro descreveu o apagão, pelo Twitter, como um evento "estranho". O presidente acusou os opositores de usar "sabotagem" para prejudicar o governo nas eleições municipais do próximo domingo.
Em tese, as instalações elétricas do país tiveram a segurança reforçada com militares, ainda em abril, quando o governo declarou "emergência" no sistema elétrico, para combater crise no setor, que começou em 2009.
Foi naquele ano que, ante demanda crescente e a seca que prejudicou a hidrelétrica que gera 70% do que o país consome, se iniciaram cortes constantes de luz, especialmente em cidades menores.
Desta vez, o serviço se restabeleceu rápido, entre 10 minutos e meia hora na maioria dos pontos afetados --em localidades menores, porém, o problema durou várias horas.
A indústria petroleira, coração econômico do país, não foi atingida por ter geradores.
Ainda assim, o corte foi suficiente para alimentar ainda mais a virulenta troca de acusações nas vésperas do confronto eleitoral.
Apesar de se tratar de eleição local, o pleito está sendo visto como um termômetro para a gestão de Maduro, eleito em abril após a morte de Hugo Chávez (1954-2013).
Desde setembro, quando um apagão afetou 14 Estados, Maduro vinha dizendo que seus oponentes preparavam plano para deixar o país às escuras nas eleições.
Em ato de campanha, o principal líder opositor, Henrique Capriles, acusou o governo de ser "irresponsável".
Antes, ele havia dito pelo Twitter: "O país afetado por um apagão que gera intranquilidade e os porta-vozes do governo com declarações patéticas. Sejam responsáveis alguma vez na vida!"
"PLANO DA PÁTRIA"
O Parlamento venezuelano aprovou ontem, impulsionado pela maioria chavista, o "Plano da Pátria", programa de governo idealizado por Hugo Chávez em 2012.
O projeto define cinco objetivos para o país: defender, expandir e consolidar a independência nacional; continuar a construção do socialismo; converter a Venezuela em potência social, econômica e política; desenvolver uma nova geopolítica internacional e contribuir para a preservação da vida no planeta.

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