Apagão invade campanha na Venezuela
Falta de energia afetou 19 dos 23 Estados e põe governo em xeque às vésperas de eleições municipais, no domingo
Maduro acusa oposição de 'sabotagem'; há oito meses, país declarou emergência no setor elétrico contra crise
FSP
Enquanto o presidente Nicolás Maduro discursava na TV, os venezuelanos
foram surpreendidos anteontem com um apagão que atingiu 19 dos 23
Estados e a capital, Caracas, no segundo episódio de interrupção
generalizada do serviço num espaço de três meses.
O corte ocorreu pouco depois das 20h (22h30 em Brasília) e, ato seguido,
Maduro descreveu o apagão, pelo Twitter, como um evento "estranho". O
presidente acusou os opositores de usar "sabotagem" para prejudicar o
governo nas eleições municipais do próximo domingo.
Em tese, as instalações elétricas do país tiveram a segurança reforçada
com militares, ainda em abril, quando o governo declarou "emergência" no
sistema elétrico, para combater crise no setor, que começou em 2009.
Foi naquele ano que, ante demanda crescente e a seca que prejudicou a
hidrelétrica que gera 70% do que o país consome, se iniciaram cortes
constantes de luz, especialmente em cidades menores.
Desta vez, o serviço se restabeleceu rápido, entre 10 minutos e meia
hora na maioria dos pontos afetados --em localidades menores, porém, o
problema durou várias horas.
A indústria petroleira, coração econômico do país, não foi atingida por ter geradores.
Ainda assim, o corte foi suficiente para alimentar ainda mais a
virulenta troca de acusações nas vésperas do confronto eleitoral.
Apesar de se tratar de eleição local, o pleito está sendo visto como um
termômetro para a gestão de Maduro, eleito em abril após a morte de Hugo
Chávez (1954-2013).
Desde setembro, quando um apagão afetou 14 Estados, Maduro vinha dizendo
que seus oponentes preparavam plano para deixar o país às escuras nas
eleições.
Em ato de campanha, o principal líder opositor, Henrique Capriles, acusou o governo de ser "irresponsável".
Antes, ele havia dito pelo Twitter: "O país afetado por um apagão que
gera intranquilidade e os porta-vozes do governo com declarações
patéticas. Sejam responsáveis alguma vez na vida!"
"PLANO DA PÁTRIA"
O Parlamento venezuelano aprovou ontem, impulsionado pela maioria
chavista, o "Plano da Pátria", programa de governo idealizado por Hugo
Chávez em 2012.
O projeto define cinco objetivos para o país: defender, expandir e
consolidar a independência nacional; continuar a construção do
socialismo; converter a Venezuela em potência social, econômica e
política; desenvolver uma nova geopolítica internacional e contribuir
para a preservação da vida no planeta.
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