quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Estaria o PC com seus dias contados?
Sarah Belouezzane - Le Monde
Se os analistas estão começando a levantar sérias questões sobre o futuro da americana Intel, é porque o PC, o principal mercado de seus microprocessadores, está em apuros. Os observadores estão até começando a se perguntar se o PC não estaria com os dias contados.
Os relatórios trimestrais das consultorias se mostram cada vez mais alarmantes. Após uma década de estagnação, o mercado de computadores pessoais só tem encolhido: segundo um estudo da consultoria Gartner, no terceiro trimestre o número de computadores pessoais vendidos chegou a 80,2 milhões de unidades, uma redução de 8,6% em relação à mesma época em 2012.
Ainda pior, o volume total deverá sofrer uma redução de 11% até o final do ano de 2013, reduzindo também as possibilidades de mercado para os produtos da Intel, por mais eficientes ou inovadores que eles sejam.

Mais fácil de transportar

Durante esse tempo, as vendas de tablets dispararam. Popularizados pelo iPad, a prancheta multimídia da Apple lançada em 2010, esses aparelhos que são um intermediário entre o telefone e o computador não param de conquistar novos mercados. Segundo a consultoria Gartner, em 2015, as curvas de venda dos dois produtos deverão se cruzar, com vantagem para os tablets.
Para os analistas, a explicação é simples: o tablet, muito portátil e mais fácil de transportar do que um computador, substitui este último com facilidade para as tarefas do dia a dia.
Para navegar na internet, ler e-mails, fazer compras ou postar nas redes sociais, um tablet é suficiente, ainda mais porque essas pequenas joias da tecnologia hoje são praticamente tão potentes quanto seus irmãos mais velhos, e por ser fácil acoplar um teclado nele para digitar. Resultado: os consumidores passaram a trocar seus PCs com muito menos frequência do que antes.

"O computador vai se reinventar"

Mas a Intel tem evitado qualquer tipo de pessimismo, acreditando até que o PC ainda tem um grande futuro pela frente.  "Claramente existem sinais de estabilização", declarou Brian Krzanich, presidente da gigante dos semicondutores. Alguns nomes da companhia de Santa Clara chegam a prever uma retomada para 2014, apostando que as empresas fariam a troca de suas máquinas, uma operação que foi adiada pela má conjuntura econômica global. Na verdade, Gartner acredita que as vendas deverão se estabilizar em 2014 antes de se recuperarem de forma lenta, mas contínua, a partir de 2015.
"O que se observa é que o limite entre o que é um tablet e o que é um PC está ficando difuso", explica Navin Shenoy, vice-presidente encarregado da divisão de portáteis. O executivo faz referência ao surgimento de novos formatos híbridos: um tablet tão potente quanto um PC que, acoplado a um teclado, se torna um computador.
São formatos que se tornaram possíveis graças ao Windows 8, um sistema operacional idêntico para todas as plataformas (PC, tablet, celular). "Acredito sinceramente que se criarmos produtos interessantes e atraentes, os consumidores voltarão, eles vão querer ter um tablet que lhes permita trabalhar tão bem quanto em um computador", afirma Shenoy.
Para se posicionar melhor nesse mercado, a Intel lançou uma gama de microprocessadores que permite ao fabricante escolher o sistema operacional que ele vai instalar em sua máquina no último momento. Enquanto isso, a Intel também pode se gabar de equipar a emblemática linha MacBook da Apple, recordista absoluta de vendas.  
Tradutor: Lana Lim

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