Três meses após apagão de setembro, Venezuela volta a ficar às escuras
VEJA
Venezuelanos aproveitam luzes de emergência de estação de metrô durante apagão em Caracas
(Juan Barreto / AFP)
A falta de energia provocou cenas de caos em Caracas. No sistema de metrô da cidade, milhares de passageiros precisaram abandonar os vagões e caminhar na escuridão pelos trilhos. Com poucos táxis circulando e ônibus completamente lotados, muitos venezuelanos que voltavam do trabalho optaram por ir para a casa a pé. De acordo com o jornal El Universal, eles andavam em grupos grandes pelas ruas escuras da capital, para evitar tentativas de assalto.
Alimentadas por geradores, as refinarias de petróleo do país não foram afetadas pela falta de energia.
Governo - O blecaute acontece apenas três meses depois que um grande apagão atingiu a maior parte da Venezuela em setembro. Na época, o presidente Nicolás Maduro alegou que “sabotadores” haviam provocado a falha em uma das linhas de transmissão que originou o blecaute. Sem surpresa, o governo repetiu a acusação ao tentar explicar o apagão desta segunda.
"Houve um problema com um estranho blecaute no mesmo lugar da sabotagem da última vez. Peço ao povo que fique alerta", disse Maduro, enquanto Caracas ainda estava às escuras. Líder do governo na Assembleia Nacional, Diosdado Cabello foi ainda mais direto. "Não tenho dúvidas que a sabotagem elétrica de hoje é parte do plano da direita", disse no Twitter.
Ineficiência - A Venezuela sofre constantes racionamentos de energia devido a problemas com a geração hidrelétrica, fonte de aproximadamente 64% de sua energia. Em 2010, o governo culpou a seca pela crise. Após a temporada de chuvas, os reservatórios se recuperaram. Mesmo assim, os racionamentos continuaram e as acusações se voltaram para sabotagens.
Segundo analistas, a falta de investimento no setor elétrico, após a nacionalização promovida por Chávez em 2007, levou à deterioração dos serviços de geração e transmissão a ponto de a pouca capacidade disponível levar aos racionamentos, apesar de a capacidade instalada do país ser maior que a demanda.
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