sábado, 4 de maio de 2013

Grupos organizam manifesto contra a crise e em favor da igualdade dos direitos na França
Christine Poupin, Olivier Besancenot e Philippe Poutou - Le Monde
    Jeff Pachoud/AFP
 Manifestantes celebram em Lion  a aprovação do casamento gay na França
Manifestantes celebram em Lion a aprovação do casamento gay na França
A crise econômica, a ofensiva do governo e do patronato contra o mundo trabalhista, bem como o abalo político provocado pelas confissões de Jérôme Cahuzac, pedem por uma resposta no campo social e político. É ainda mais urgente pelo fato de que a direita e a extrema-direita não têm hesitado em lutar contra a igualdade. Uma corrida contra o tempo começou. Já está na hora de que uma oposição à esquerda do governo seja finalmente ouvida e que ela retome o caminho das ruas. Jérôme Cahuzac não fez nada além de aplicar em seu próprio patrimônio o tratamento que o governo do Partido Socialista autoriza para todas as classes dominantes: "Cintos apertados para a maioria laboriosa e enriquecimento para uma minoria privilegiada."
Bem mais que o patrimônio dos ministros, foi a verdadeira natureza da política do governo que acabou de ser revelada aos olhos de milhões de pessoas: mimar a classe dominante esperando em vão que ela traga de volta o crescimento. Foi a verdadeira natureza que levou o PS, depois de ter endossado um primeiro presente de 20 bilhões de euros em crédito tributário para as empresas, a aprovar um segundo deles: a "flexissegurança" que dá novos poderes ao patronato para dispor dos empregados como bem entendem, em nome da competitividade, é claro. Dinheiro, eles têm!
Por que motivo deveríamos nos resignar ao desemprego em massa, ao corte dos salários, às aposentadorias e às bolsas, ao desmantelamento das conquistas sociais e dos serviços públicos? Nós propomos fazer um protesto maciço no domingo (5) contra o governo e sua política de austeridade, um protesto para acabar com o poder do sistema bancário e financeiro, a favor de sua socialização sob controle dos trabalhadores e do povo. Um manifesto também pela igualdade de direitos, direitos dos homossexuais ao casamento, à adoção, à reprodução assistida, ao direito de voto para todos os residentes e pela regularização de todos os imigrantes irregulares. Um protesto ainda por uma democracia verdadeira que rompa com as instituições da Quinta República, que proíba a concentração dos poderes e o acúmulo de mandatos, que imponha o controle direto da população sobre parlamentares revogáveis, remunerados com a média salarial nacional.
O caso Cahuzac, assim como os anteriores – Bettencourt, Woerth, Takieddine – não passaram de gafes. Mas é tudo que deve ser mudado. As "varreduras" [N.T.: propostas por Mélenchon] não bastam, pois o sistema não está somente empoeirado, ele está mofado. Não se trata somente de mudar de governo, de presidente ou de políticos, substituindo-os por outros, ou de mudar o número da república, trata-se de mudar todas as regras do jogo, de que a população elabore e legisle soberanamente sobre sua própria representação democrática. Com os políticos e ricos afundando em escândalos, está na hora de tomarmos as rédeas das coisas.
As grandes conquistas sociais e democráticas foram obtidas às custas de grandes lutas, como em junho de 1936 ou no Maio de 68, quando as camadas populares conseguiram irromper na arena social e política, onde os políticos profissionais não querem que as pessoas entrem. Em toda a Europa, Grécia, Espanha, Portugal, o povo está voltando a fazer política, graças aos movimentos dos Indignados, às grandes marchas sociais e às greves gerais constantes. A França não viverá em uma bolha à parte por muito tempo.
Esses movimentos não se decretam, são preparados na convergência das lutas atuais. Jean-Luc Mélenchon assumiu unilateralmente a iniciativa de convocar uma manifestação no dia 5 de maio por uma Sexta República. Não concordamos com o modo como está sendo feito, nem com os chamados patriotas, soberanistas, ou até nacionalistas porque nossa bandeira é sempre internacionalista. Mas queremos contribuir para a maior aglomeração possível para acabar com a política do governo, para não deixar o povo nas mãos de reacionários homofóbicos e para defender a perspectiva de uma democracia real, vinda de baixo, que impeça especuladores e seus amigos políticos de causarem danos. É por isso que chamamos todos a saírem para as ruas no dia 5 de maio.
*Christine Poupin (porta-voz do Novo Partido Anticapitalista - NPA), Olivier Besancenot (ex-candidato da Liga Comunista Revolucionária - LCR nas eleições presidenciais de 2002 e de 2007) e Philippe Poutou (ex-candidato do NPA na eleição presidencial de 2012).
Tradutor: Lana Lim

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