François La Rochefoucauld resumiu em uma única frase: “A ausência apaga as pequenas paixões e fortalece as grandes” o que, como a grande maioria, passei a vida sem enxergar, apesar de já praticamente um sexagenário.
As diversas e pequenas paixões vividas são
praticamente esquecidas quando, depois de encerradas, aqueles que as viveram se
afastam, deixam de se ver, se comunicar ou o fazem com pouca frequência.
Isso pode ser facilmente constatado entre os
apaixonados durante o afastamento provocado por uma simples viagem ou após o fim
do relacionamento ou em outro tipo de relacionamento onde o que ocorre não é
exatamente a paixão, mas uma grande afinidade ou mesmo o amor, como entre amigos
e parentes.
Pessoas que passaram por perdas de vidas em
qualquer uma dessas áreas sabem perfeitamente como, apesar de transcorrido o
tempo, a ausência só provoca o aumento do sentimento que se tinha por
alguém.
A ausência das pessoas que já não vivem e jamais
retornarão, de um modo ou de outro terão que ser suportadas por quem a sente,
mas a ausência de uma paixão ou amor que só está distante fisicamente pode e
deve ser resolvida, extinta.
São raras as pessoas que durante a vida têm a
oportunidade de viver uma grande paixão e mais raro ainda, um verdadeiro amor,
mas apesar disso ainda vemos pessoas que, tendo essa felicidade, a desperdiça,
perde momentos valiosíssimos ao lado daquele que ama.
Quando por algum motivo ocorre um afastamento
entre um casal que se ama, há os que deixam de reatar o relacionamento por
orgulho, opinião de terceiros ou medo de se machucar novamente, mas não há
paixões, amores ou mesmo vidas sem riscos, assim como também não haverá produção
sem o plantio, sucesso sem trabalho, gravidez sem fecundação ou rosas sem
espinhos.
Não podemos deixar de viver por medos, seja de
sentirmos dores, acidentes ou perdas de pessoas queridas.
É necessário aceitar, perdoar e esquecer muita
coisa, procurar remediar faltas e nos corrigirmos ao invés de só nos
desculparmos, mas jamais devemos abandonar uma grande paixão e menos ainda um
grande amor, que talvez seja o único de nossa vida.
Ao sentirmos paixão ou amor por alguém, não
devemos permitir sua distância física por longos períodos. Se ela não pode se
manter próxima, nós é que devemos buscar essa aproximação, mudando de trabalho,
cidade ou até de país, rompendo, dessa maneira, qualquer barreira que esteja
impedindo viver esse sentimento.
As dores do passado são do passado e nunca
cicatrizarão se não dermos os principais passos em direção à sua cura: o perdão
e o esquecimento. Precisamos perdoar as faltas, erros e ofensas dos que estão ao
nosso lado, vivos, e que conosco podem e querem viver, pois não poderemos
fazê-lo após sua partida.
A felicidade só será alcançada por quem vive
a vida e não simplesmente passa por ela.
João Bosco Leal www.joaoboscoleal.com.br
*Jornalista e empresário
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